segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

É tempo de renovar, de ser uma nova pessoa!

Complicado voltar quando não se queria ter ido. Congelar uma paixão por que a vida impediu que continuasse.
Pode parecer drama, mas foi exatamente o que aconteceu comigo.
Deixar de escrever foi uma decisão complicada que meus sentimentos tomaram por mim.
Alto-suficiente, meu coraçao decidiu sem antes consultar aquela vontadezinha de compartilhar pensamentos que ardia dentro de mim.
O que me fez congelar o blog foram dias difíceis, problemas familiares, coisas que eu tinha medo de viver e que acabei vivendo. Saldo negativo? Nem tanto. Não que queira que aconteçam novamente, porém, por mais difíceis que tenham sido, me fizeram crescer e olhar o mundo de outra forma. Uma forma mais harmoniosa e atenta aos pequenos detalhes. Pequenos mais que fazem toda a diferença do mundo, mesmo que eu não notasse. Agora tenho novos olhos. Uma visão mais madura, que sabe o que realmente importa. 
Aprendi a driblar minha insegurança, meus sentimentos que sempre me puxavam para trás, me fazendo olhar o mundo preto e branco. Foram estes que me fizeram parar de escrever. Mas agora isso mudou. Hoje sei incluir cores nas imagens que gravo na minha cabeça. Imagens que levarei para o resto de minha vida e que ajudarão a construir a minha história e os textos aqui postados.
Escrever para mim é uma mistura destas imagens, de pensamentos e de sentimentos. Se ultimamente só pensava em coisas ruins, sentia-me triste e exergava preto e branco, como poderia escrever algo construtivo? Minha inspiração não chega com qualquer tipo de vento. Afinal, não é todo dia que a brisa sopra mais forte. E é desta forma que eu funciono. Porém, a partir te agora, minha força irá ajudar estes ventos a seguir a direção que desejo.
Realmente mudei. Passarei a me dedicar a este pequeno espaço na internet, colocando aqui o que realmente me faz feliz. Se escrever é o que amo fazer, pois bem, escreverei até meus músculos doerem. Chega de se deixar vencer por sentimentos mal acabados. O que importa é o que o coração manda. E o meu diz: Vá, se entregue as palavras, viva para o que você ama. E desta vez irei obedecer. Chega de bancar a menina mal criada, que não liga para uma voz de ordem. Chega de deixar a vida acabar com o que realmente me faz feliz. É tempo de renovação!
Por isso, bola para frente, um novo ano surgiu, e com ele, uma pessoa nova acaba de nascer. Um pessoa que está apta a mudanças, a novidades, a realização de sonhos e vontades a muito tempo adormecidas.
E não é só dentro de mim que uma nova pessoa acaba de nascer. Aposto que dentro de você também há uma vontadezinha de mudar, de se renovar...
A minha renovação é voltar a escrever, e a sua?
Dedique-se a sua maior paixão, se não a conhecer, descubra! Isso só pode te fazer bem e irá ajudar a ser essa nova pessoa que você deseja. Só mudamos quando se descobre o real motivo para que isto aconteça.
Eu já descobri e estou pronta, cheia de esperança... e você? Bora ser uma nova pessoa?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Juntos, de qualquer jeito, de qualquer forma (parte 2)

Senti que acordei, mas não conseguia enxergar nada. Estava deitada em uma cama que não era a minha, pude perceber. Não conseguia me lembrar do que estava acontecendo e aonde estava.
Ouvi uma pessoa se proximando. Estremeci assustada.
- Juliana? Minha filha querida! Como você está?
Ah, era minha mãe! Respirei com alívio.
- O que aconteceu?  Por que não estou enxergando?
- Você se esqueceu querida? - senti a voz dela se misturar com lágrimas. - Você fez uma cirugia ontem. Passou por um transplante de córnea. Mas está tudo bem. Estou aqui com você.
Coloquei as mãos perto de meus olhos e senti um curativo grande. Ah, era por isso que eu não estava enxergando. Mas que história era essa de transplante de córnea?
Adormeci novamente.
Desta vez, meus pensamentos foram tomados por um filme de minha vida. Sabe quando você fecha os olhos e tudo bem a sua cabeça, esclarecendo suas dúvidas? Foi exatamente assim que eu me senti. E, honestamente, não queria ter me lembrado do câncer, dos amigos que me abandonaram e da barra que teria que enfrentar dali em diante.
Acordei com o médico me chamando. A voz estava distante... ou será que era eu que ainda sonhava? Não sei. Apenas ouvi uma voz gentil, perguntando como eu estava.
Respondi falando que estava bem, mas sem verdade nenhuma na minha voz.
Senti o médico cortando as ataduras em volta de minha cabeça e me falando para abrir com cuidado os olhos. Fiz isso e o mundo revelou-se novamente. Vi o quarto de hospital, os balões que minha mãe colocara na tentativa de deixar o lugar mais animado e minha família apreensiva, observando.
- Quer ver seus novos olhos, querida? - disse meu pai sorrindo e me dando um espelho de bolso.
Olhei com medo. Mas lá estava meu rosto inchado, mais intacto. E meus olhos... ah, estes estavam verdes como nunca haviam sido.
Mais tarde desta vez sozinha em meu quarto, peguei o espelho novamente e olhei com atenção. Engraçado, conhecia aqueles olhos de algum lugar. Eram penetrantes e de uma serenidade que não era minha. Teria que aprender na marra a viver com eles. O dono daqueles olhos sem dúvidas era alguém mais vivido que eu.
Passei dias que mais pareciam anos no hospital, tentando me adaptar a nova vida e me esforçando para esquecer que meus amigos haviam me abandonado com medo que eu morresse. Que droga! Eu estava viva! Por que me enterraram antes do tempo? Que injustiça!
Quando a enfermeira entrou no quarto, lutei contra as lágrimas que não pareciam ser minhas, tinham um outro gosto e um jeito diferente de cair. Estranho, pensei eu.
- Juliana, um rapaz lhe deixou isso na recepção do hospital hoje. - disse ela animada, mostrando uma caixa do meu chocolate favorito junto de um bilhete. Esperei a enfermeira sair e abri.
Meu coração deu um salto quando vi o nome. Era do André.
Estava digitado no computador. O que achei estranho, vindo de um garoto que sempre gostou do papel e da caneta. Por mais que meus olhos reclamassem do esforço eu li até o fim. O bilhete dizia:
"Ju,
Sinto muito por te deixar sozinha no momento mais difícil de sua vida. Acho que não agi certo, por mais que essa tenha sido a melhor solução que eu tenha achado para o meu problema. Saiba que tranquei minha faculdade e fui passar um mês no campo junto do meu avô, me isolando de tudo e de todos para refletir sobre a vida antes de tomar a decisão mais difícil de minha vida. Por isso sumi.
Assim que você se recuperar quero te encontrar para conversarmos melhor.
Eu te amo muito.
André"
Aguardei ansiosamente a minha ida para casa. Depois, ansiosamente até minha mãe me deixar sair do repouso.
No dia anterior a minha volta para o mundo, mandei uma mensagem para o André. Ele me respondeu com uma ligação. Estava muito estranho, mas mesmo assim consegui marcar um encontro com ele. No fundo, escutei um cachorro latindo. Devia ser o do vizinho, pensei. O André não tinha cachorro.
Quase não consegui dormir aquela noite. Tinha uma estranha sensação de que algo muito forte para eu aguentar iria se revelar. Sinceramente, acho que não aguentaria mais um baque em minha vida.
Cheguei na praça onde marcamos o encontro e sentei no banco, ansiosa. Olhava para as folhas que rodopiavam com o vento quando vi um cachorro cruzando a esquina. A coleira que ele usava não era comum, era uma guia. E finalmente seu dono apareceu, sendo guiado por ele. Seu dono era o André.
Ele se aproximou de mim. Seu cão guia sentou ao lado dele, fiel.
Imediatamente começei a chorar.
- Eu não acredito que você fez isso! - eu disse surtando.
- Eu fiz o que achava certo. Dei a você o que lhe era mais importante.
- Você acabou com a sua vida por minha causa!
- É aí que você se engana. Eu já compreendi como é viver. Se sou forte para tomar esta decisão, posso passar tranquilamente pelos obstáculos da vida. Já você tem muito o que aprender.
Chorei compulsivamente. Queria que fosse que nem nos desenhos animados, onde eu poderia arrancar os olhos e colocar de volta nele. Mas não era assim. Já estava feito. Eu não tinha nada a fazer a não ser fazê-lo se orgulhar da decisão que havia tomado. Decidi driblar minha ingenuidade de menina mal vivida. Agora era a hora de voltar a viver. Respirei fundo, me aproximei dele, beijei-o profundamente e disse sentindo a forte conexão que agora tomava conta de nós:
- Obrigada por trazer minha vida de volta. Eu te amo.
Ele sorriu e respondeu:
- E você, obrigada por me fazer voltar a enxergar neste exato momento.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Juntos, de qualquer jeito, de qualquer forma.

Durante meus dezenove anos, sempre ouvia as pessoas dizerem para aproveitar cada momento, pois a vida, às vezes pregava peças. Eu nunca fui uma adolescente qualquer. Não gostava de sair de casa e ficar com meus poucos amigos, aproveitando cada segundo, ao contrário de todo mundo. Hoje, como me arrependo de não ter feito isso. Talvez, se tivesse aprendido a me virar, a passar pelos obstáculos da vida, conseguisse entender por qual motivo o André fez isso comigo. Minha ingenuidade, mantida até hoje, me fez e faz não entender os reais motivos para que as pessoas tomem determinadas atitudes.
Há cinco anos atrás, eu tinha uma vida perfeita. Podia não ser perfeita para muitas pessoas, mas se encaixava exatamente no meu conceito de felicidade. Eu tinha uma casa confortável e uma família maravilhosa. Tinha um melhor amigo pelo qual mataria e morreria sem pensar duas vezes. Não precisava de mais nada para me isolar em meu mundo. Tudo o que eu queria encaixava-se nele, sem dificuldades. Hoje a vida me ensinou que isso foi pura ingenuidade.
Sempre tive uma saúde perfeita, achava eu, até o dia em que acordei com um peso nos olhos. Fui ao pronto socorro achando que tinha sido mais uma vítima do surto de conjuntivite daquele verão. Mas  me encaminharam para um médico, que me olhou com estranheza e logo me mandou para outro, depois para outro, para outro, para outro, até que me dei conta que estava na sala de espera de um médico oncologista. Em questão de um mês meu mundo desabou. Precisava urgente de um transplante.
Junto do maior baque da minha vida, eu perdi o apoio de meus (eu achava que eram) amigos e minha família passou a me tratar como o próximo espírito a passar para a outra dimensão.
Conseguiria superar tudo se tivesse o apoio de quem eu mais amo neste mundo, o André. Meu melhor amigo desde o jardim de infância. Aquele do qual já havia falado. O irmão escolhido pelo coração e não pelo destino.
Pois bem, ele sumiu durante o mês em que rodei por todos os oftamologistas de minha cidade e procurei por um hospital que me operasse com urgência. Meu coração ficou partido. Nada de meu irmão por perto, segurando meu muro, para que não caisse.
Confesso que entrei na sala de cirurgia naquela manhã fria de segunda feira sem saber realmente se queria retornar. Entre a vida e o amor, eu escolhia com facilidade a segunda opção. Se não tivesse isso, não queria mais nada.
Hoje, lembro somente do médico aplicando a anestesia e de meus olhos se fechando rapidamente. A partir dai, só escuridão.
(CONTINUA)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Eu sinto...

Eu acordei aquela manhã com a mesma sensação de aventura de todos os dias no coração. Levantei da cama e me guiei até o banheiro onde tomei minha ducha e escovei os dentes. Doze anos naquela rotina de adaptação me fizeram não precisar da minha mãe para estas atividades.
Meu nome é Giovanna e sou cega. Não nasci assim. Quando era bem pequena conseguia olhar a beleza do mundo. Mas, quando tinha oito anos, fiquei muito doente. Três meses depois a doença foi embora, mas, infelizmente, levou junto a minha capacidade de enxergar.
Hoje não ligo mais para isso. Claro que gostaria de ter minha visão de volta. Mas, aprendi a enxergar as coisas e a beleza de outra forma.
Para todos que me conhecem, é muito estranho que meu mundo não tenha ficado estagnado nos meus oito anos. Ele mudou e muda constantemente. E eu cresço junto dele.
Quando fiquei cega, as pessoas ficavam com dó e colocavam as coisas em minhas mãos, para que eu as sentisse. Mas, não desmerecendo estas pessoas, pouco me lembro da textura, do tamanho e da cor destes objetos. A vida me ensinou que não basta querer é preciso se esforçar. Se eu não quisesse, nada iria acontecer e eu não “veria” nada outra vez.
A minha casa é meu porto seguro. Aqui conheço tudo e vejo tudo também.
Na rua, tudo é uma aventura. É difícil viver em uma cidade que não é adaptada a deficientes. Aqui, prometeram adaptação há uns sete anos. Estou esperando até agora.
Tudo na rua é hostil, diferente. Parece que cada dia as coisas mudam de lugar só para atrapalhar minha vida.
Vivendo em um lugar como esse é preciso encontrar algo em que você possa se segurar.  No meu caso, encontrei aonde me segurar.
O parque é meu lugar favorito. A grama limpinha, cheirando a orvalho, me indica a cor verde. A árvore com seu tronco grosso e desuniforme me indica a cor marrom, que me traz força. O céu, com sua brisa suave, me remete a cor azul e me deixa  calma. Aqui, posso enxergar tudo novamente. Posso viver de novo. Me sinto segura sabendo que estou ao lado de coisas agradáveis que estão aqui pelo meu bem. Ou que pelo menos não mudam de lugar.
Esta segurança é o que motiva a minha vida, a beleza e a minha superação. É o que traz meus olhos de volta.
Leonardo da Vinci já dizia que os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo. Então, você provavelmente deve se perguntar: Como então, que eu enxergo as coisas? Simples resposta: eu sinto.
                                              

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E agora...?

Eu recebi aquela ligação com um nó na garganta. Queria chorar, mas me mantive forte. Não podia passar mais desespero a mãe dela.
Olhei para o relógio e constatei que eram quase dez horas da noite. Não me importei. Coloquei meus tênis, peguei meu bilhete de metrô e sai decidido de casa.
Não conseguia acreditar que era isso o que tinha acontecido. Ela sumiu por um mês. Não atendia telefone, não respondia meus e-mails e nem abria a porta de casa. Eu achei que ela estava brava comigo. Nunca poderia imaginar o verdadeiro motivo. Não poderia aceitar o verdadeiro motivo.
Cheguei em frente a casa dela, respirei fundo e toquei a campainha. A mãe dela atendeu.
- Que bom que você veio hoje. Ela não esperaria até amanhã.
Eu apenas cumprimentei a mãe dela e entrei na casa com o coração na mão. Senti um aperto sufocante quando a olhei.
Minha melhor amiga. Aquela linda garota que eu conhecia desde os cinco anos de idade. Agora estava em uma cama, ligada a um respirador e com a aparência envelhecida em dez anos.
Engoli as lágrimas. A mãe dela fechou a porta a fim de nos deixar a sós. Eu não sabia o que falar.
Finalmente ela abriu a boca e disse com a voz fraca:
- Caio...
Eu não aguentei e desatei a falar:
- O que aconteceu com você? Por que não me avisou? Eu poderia ter te dado apoio, te ajudado a superar!
- Você seria a primeira pessoa para quem eu contaria. Aliás é realmente a primeira!
- E por que você me contou só agora? Afinal, o que aconteceu com você?
- Eu sai com aquele cara que você tinha me alertado a não me aproximar. Ele bebeu muito e saiu em disparada com o carro. Eu também tinha bebido um pouco e não liguei. Ele não viu o farol vermelho e bateu em outro carro. Ele e o primo que estavam nos bancos da frente morreram na hora. Só eu sobrevivi. E não sei o por quê.
Eu não sabia o que falar. Olhei para ela e tentei assimilar aquelas informações. Por fim ela cortou o silêncio:
- Fiquei internada durante um mês. Coloquei vários pinos, mas mesmo assim não posso mais andar. Também tive a capacidade respiratória reduzida, por isso o respirador.
- Tudo isso pois você fez algo que não deveria ter feito. - eu disse
- Eu sei, Caio. Não preciso disso agora. Só quero o seu apoio. - ela disse chorando.
- Desculpe. É que te ver assim... Mexeu com as minhas emoções.
- Eu não sei o que eu faço, Caio... Se eu tivesse te escutado como eu sempre fiz durante a minha vida... Mais não, eu estava apaixonada e não dei ouvidos a ninguém e nem à razão. Cometi o maior erro da minha vida!
- Laura, preste atenção: A vida é traiçoeira. Ela está sempre pronta para te derrubar. Mas há um porém: A gente sempre acha que os maus momentos são negativos. Não é bem assim. Eles foram feitos para aprendermos com nossos próprios erros. Lembra quando você tinha dez anos e caiu do muro mesmo que sua mãe tenha falado mil vezes para você não subir?
Ela concordou com a cabeça.
- Então, depois do joelho ralado e do dente quebrado, quantas vezes mais você subiu no muro?
- Nenhuma.
- Viu? Você mesma achou a resposta.
Ela franziu com dificuldade o rosto.
- A gente aprende com os próprios erros.
- Mas eu preferia um dente quebrado do que viver o resto da minha vida presa a esta cama. Será justo o que Deus fez comigo?
- Não culpe Deus. Ele escreveu seu destino e você não tem como mudar isso. E sempre tenha em mente que ele não lhe dá mais tijolos do que você pode carregar. Se fez isso é porque sabe que você pode aguentar. Agradeça a ele todos os dias por estar viva. Você foi a única que escapou. Ainda não cumpriu sua missão no mundo. Cabe somente a você descobrir isso.
Ela chorou ainda mais. Por fim, falou:
- Mas, Caio...e agora? Minha vida acabou!
- Acabou, Laura? Pare e pense... Antes você apenas existia. A sua vida começa a partir de agora...
Ela sorriu com dificuldade e então, dormiu, e eu pude ir tranquilo para casa.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

" If you can dream, you can do it"

Quando criança aprendi que sonhar era bom.
Me disseram que os sonhos eram o combustível da vida. E eu acreditei.
Cresci, e meus sonhos pareceram se distanciar... Mas no fundo, havia sempre um deles presente em meus pensamentos. Mesmo que me alertassem a descer das nuvens pois estava esquecendo de viver, eu continuava a acreditar neles.
Foi ai que descobri que a realização vem com a luta, com o esforço e também com a persistência.
Em julho de 2010 o meu sonho se realizou.
Junto dele não pude deixar de notar as mais sinceras lágrimas que brotavam em meus olhos. E também aquele calor no coração que imediatamente me fez sorrir... Aquela era a verdadeira realização pessoal.
Por isso ressalto a importância de ter sonhos.
Todo ser humano os possui. Não importa o tamanho e nem quanto impossível eles sejam. Eles brotam do coração e nos motivam a continuar a caminhada.
Muitas vezes pessoas ao nosso redor tentam matá-los com palavras de pessimismo. Por isso acabamos achando que não podemos lutar para que eles se realizem. Isso não é verdade. Quem constroe nossos sonhos somos nós mesmos. Quem sente o quanto é bom realizá-los também somos nós.
Nunca acredite que seus sonhos são impossíveis. Cada sonho negado é uma parte do coração que é censurado, é um trecho do caminho da vida que é retirado.
O medo de sonhar tira-nos o prazer de viver no limite permitido. Pois os sonhos são exatamente isso: limites de viver o novo, o extraórdinario e o inusitado.
Claro que não se deve viver apenas de sonhos. Mas eles são importantes. Nos fazem ter planos, esperar com alegria algo que ainda está por vir. Se um dia lhe disserem que você é um sonhador, não leve isso como uma ofensa. É melhor sonhar e ter uma vida maravilhosa, cheia de esperanças do que passar o seu tempo na Terra inteiro em preto e branco. Desta forma, se pararmos para pensar, não valerá a pena ter nascido.
                              
FONTE DA IMAGEM: http://aunicaforca.blogspot.com/2011/02/sonhos-e-sonhos.html

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Aos loucos de coração mantidos enjaulados"

São dez horas da noite. Alguns meses atrás minha noite estaria apenas começando, mas hoje, precisamente agora, as luzes do corredor estão se apagando. Ai de mim se eu acender a laterna que minha mãe trouxe para mim na última visita. Se acende-la, eu apanho.
Aqui na prisão o tempo parece não passar, a comida parece papelão, o colchão parece pedra e as pessoas parecem estar em um inferno.
Eu, por outro lado, não encaro isso como um inferno. Agora sei que mereço estar aqui. Fui eu mesmo que causei isso.
Meu nome é Saulo, tenho vinte anos e fui preso há oito meses e meio por usar e vender drogas. Lembro-me de todos os detalhes e de cada segundo do dia que fui preso. Era madrugada e eu dormia profundamente após um cigarro de maconha. De repente, acordei com meu pai me puxando pelo braço e me levando até a porta de casa. Suas únicas palavras foram: Agora você vai pagar pelo que fez! Você não é mais meu filho!
Aquelas palavras doeram mais do que todas as agulhas que já tinha usado entrando juntas e ao mesmo tempo em meu corpo.
No caminho da cadeia eu já não tremia mais. Sabia que cedo ou tarde minhas chances de sair do mundo das drogas acabariam. Eu juro que tentei sair. Mas a sensação maravilhosa que a droga causava nas minhas entranhas era maior que a vontade de parar.
No mundo das drogas eu tinha tudo. Dinheiro, amigos(que hoje sei que não eram realmente meus amigos), viagens sem sair do lugar e experiências inesquecíveis.
Já no mundo real...nada. Nem mais o apoio da minha família eu tinha. Monotonia, brigas, rotina... eu era capaz de enlouquecer se continuasse vivendo naquele mar de mesmice.
Até hoje não sei porque busquei justamente as drogas. Poderia ter arranjado outra válvula de escape, mas não. Fui cair neste mundo que hoje sei o quanto é nojento.
Quase nove meses aqui me ensinaram muitas coisas. Percebi que as viagens causadas pelas drogas não me traziam lembranças como as viagens que fazia com meus pais. O dinheiro que ganhava não era gasto com algo que pudesse fazer algum bem para minha vida. Os amigos que achava que tinha me abandonaram nos momentos de tentativa de abandonar o vício.
 Foi a partir deste momento que percebi que estava trocando as bolas. A vida maravilhosa que eu achava que tinha era na verdade um buraco negro que eu mesmo abri sob meus pés. A vida tentava toda hora se tornar minha melhor amiga. E eu a rejeitava.
Uma pena que no momento em que abri os olhos foi tarde demais. Já estava na porta da minha cela, esperando o policial abrir.
Passei sete meses sem a visita de ninguém. Muitas vezes tentei me matar. Parei de comer. Não conversava com outros presos. A vida parecia ter dado as costas pra mim novamente,
Mas, um dia tudo mudou. Acordei com o policial falando que eu tinha uma visita. Não acreditei quando entrei na sala e vi minha mãe. Chorei como um bebê. Abracei-a pela cintura. Pedi desculpas. Ela acariciou minha cabeça e naquela hora a vida sorriu de novo.
minha mãe me deu um diário nesta visita. E é nele que escrevo agora. Amanhã vou sair daqui e irei para uma clínica de reabilitação. Escrevi este depoimento e o deixarei na cela. Quem o encontrar pode sentir-se reconfortado pelas palavras, da mesma forma que eu.
Por isso digo: Seja você mesmo. Busque seus objetivos. Sonhe. Não escolha o caminho errado. Se isso acontecer, busque o apoio de quem realmente quer o seu bem e te ama. Não cometa os mesmos erros que eu. Você não precisa sair do seu caminho para ser feliz. A felicidade se resume a poucas coisas. Você deve buscar o que ela significa para você. Não deixe que ninguém te prenda como aconteceu comigo. Escute as ideias de seu coração, ele sabe o que fazer. Se o seu coração é louco como o meu você irá se sair muito bem na vida, mesmo que algumas vezes tenha que apanhar como eu. E quando digo apanhar não me refiro à força física. A verdadeira força está bem mais próxima do que se imagina: Está dentro de você mesmo.