quinta-feira, 5 de abril de 2012

GARIMPO - Que tal dar um "curtir" no seu banho?

Inauguro hoje a tag "Garimpo" que, como eu disse ontem, trará coisinhas legais que dá pra comprar por ai.
Hoje, viajando pela internet, achei uma coisa que com certeza usarei para decorar meu banheiro quando tiver minha casa, hahaha.
Você não consegue sair do Facebook? Sem problemas, leve seu perfil para o banho!
Olha só essa cortina:
Fala sério! Não é muito legal? Imagina que divertido tomar banho assim!
Quer uma foto sua usando uma touca de patinho ou com a cabeça cheia de sabão? Coloque o rosto na parte transparente e voilá, ai está você, um viciado em internet, tomando banho!
Claro que é só uma brincadeirinha, mas é ideal para quem gosta de uma decoração divertida, né?
Pelo que eu saiba não existe nenhuma empresa no Brasil que tenha feito uma igual, mas você pode adquirir uma dessas pela internet, isso é, se você estiver disposto a gastar aproximadamente 5o reais pelo item.
A venda no site http://www.spinninghat.com/product/social-shower-curtain por 15 libras.
Gostou da tag garimpo? Alguma sugestão de post?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"A penseira" de cara nova e cheia de novidades!

Segundo o dicionário, blog é um site cuja estrutura permite a atualização rápida por meio de artigos ou posts. Geralmente funcionam em ordem cronológica e... Blá, blá,blá...
Um monte de palavras aleatórias que caracterizam um lugar que pode funcionar como refúgio ou simplismente um "depósito" de pensamentos. Para mim serve como as duas coisas e muito, muito mais. Aqui, colocava somente textos, devaneios da minha imaginação. Mas, há no mundo muitas outras coisas em que acredito, que amo e que quero escrever sobre, mostrar ao mundo, sonhar, criar, descobrir. Pois bem, é isso que eu vou fazer a partir de agora. O blog ganhou (e eu também. Digamos de passagem) as seguintes novas categorias:
DEVANEIOS: Tá, essa não vale. Já existia e era o único conteúdo do blog, mas, para quem não sabe, essa é uma categoria onde estão todos os meus textos, coisas que imaginei, criei e compartilhei com vocês. Fico feliz em dizer que ela não está mais sozinha! "A penseira" não terá mais apenas um conteúdo!
OLHAR: Essa é nova e vem junto da minha recém descoberta paixão e vício. A fotografia. A tag "olhar" será semanal e trará uma imagem feita por mim ou encontrada na internet. O lugar de onde veio é o que menos importa. O que vale mesmo é que ela trará uma visão de mundo, um olhar sobre algo que despertou minha atenção.
SÉTIMA ARTE: Pois é, amo cinema. Adoro a magia que um efeito especial, uma frase bonita ou uma cena chocante causa em mim. Cinema é muito mais que aquele filminho que a gente assiste na sexta feira com os amigos. É história, é produção, é curiosidade, é paixão, é um infinito onde conhecemos apenas algumas estrelas. Que tal saber um pouco mais sobre esse mundo maravilhoso?
CURIOSIDADES: Essa é muito legal pois trará coisas e histórias que nem imaginamos que existe. Tem tanta coisa que a gente não conhece, né? Tanta coisa para descobrir! Aqui você descobrirá. Garanto que é muito interessante e principalmente...divertido!
MÚSICA E ALMA: Quer melhor remédio para a alma do que música? Acho não existe. Nessa tag haverá letras de músicas e suas traduções. Ideal para você que adora ouvir uma música boa e ficar cantarolando ela o dia inteiro.
CULTURANDO: Essa daqui trará livros que eu li, exposições visitadas, coisas legais, nerdices.. enfim tudo que for relacionado a preciosa cultura (A única coisa que ninguém pode tirar de você, né?)
GARIMPO: Pensa que só de shopping vive as compras? Que nada! Há muito coisa por ai! Às vezes aquilo que procuramos está bem escondido, naquela lojinha tamanho ovo ou naquele site da última página do Google. Que tal encher o carrinho com coisas legais?
Ufa, Acho que é só isso (SÓ ISSO? HEHEHE) Enfim, estamos de nova fase, novo conteúdo. E você pode ajudar! Quer ver algum conteúdo diferente por aqui? Quer dar uma sugestão? Fique a vontade! Sua opnião é muito bem vinda! Deixe-a nos comentários :)
 Cintos afivelados e um turbilhão de ideias Let's go!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um teatro, um ator, a arte, uma só paixão.

Ah, o teatro. Para a maioria das pessoas, somente mais uma casa de espetáculos. Mas, para mim, para um ator, um pequeno espaço onde a capacidade de sonhar, de respirar arte, é infinita.
Atuar é uma mistura dos cinco sentidos humanos, mágicos...
Tudo comça ao pisar em um teatro, velho, moderno, com ou sem recursos. O bom ator emociona a platéia sem possuir nada, apenas sensibilidade, vontade de demonstrar arte.
Um último ensaio, traz a mistura dos sentidos, a afirmação de que se está vivo, coração batendo, sorriso no rosto.
É maravilhoso sentir o papel do texto tocando suas mãos. É fantástico pisar no palco e descobrir o seu verdadeiro chão.
O camarim é o lugar onde o ator se prepara para demonstrar a arte. O cheiro de maquiagem barata e quase no fim, se mistura ao cheiro de figurino, lavado ou não, muita gente junta, o aroma de um elenco unido, que aquece o coração.
Os atores se unem, todos por um só objetivo. A vontade incontrolável de transmitir emoção ao público.
Ah, o público... A incrível capacidade de modificar completamente o trabalho do ator. Ouvi-lo chegando, se acomodando, conversando animado, as crianças gritando o famoso "começa, começa, começa" é uma das sensações mais fantásticas que quem se dedica a arte pode sentir.
A peça começa e junto dela vem o blackout. A visão do ator se aguça. Pois sim, somente quem é um ator de verdade, consegue enxergar na escuridão, como se fosse um bonito dia de sol.
E, como se estivesse próximo do grande astro, o ator sente o suor escorrer por seu rosto como chuva. O gosto salgado logo se mistura com a sede. Sede de água, de arte, de palco, de fazer o que mais gosta.
Fazer o que mais se gosta é sentir-se vivo, finalmente compreendido. É quebrar um dedo, cair, se machucar e ainda dar risada disso. É considerar a arte parte indispensável de sua vida.
Para o ator, a vida longe de um palco, de uma peça, de um "merda" de boa sorte, perde a graça, perde a magia. O som que as pessoas emitem torna-se irritante, o escuro vira novamente o escuro, o gosto do suor volta a ser nojento, o chão onde se pisa mero complento do ambiente, assim como o tato, que passa despercebido.
Para quem já encontrou os encantos da deusa da arte, do teatro, é impossível não sentir falta de estar no palco. É impossível não sentir orgulho de seu olhar sensível, é comum encontrar um figurino a cada roupa que se vê, é comum montar uma personagem a cada pessoa curiosa que se encontra.
Por isso me orgulho em dizer que o palco é meu verdadeiro abrigo. Que para mim boa sorte é "merda", que roupa é figurino. Que pessoa é personagem. Que o abraço mais reconfortante que existe é um aplauso. Que  meus olhos cerram junto da cortina ao fim da representação.
Nada irá me tirar da peça de teatro que rege minha vida. Ainda sentir milhares de vezes estas sensações mágicas, ouvir muitos aplausos. Ainda conto com a mão da deusa da arte, pronta para fazer da minha existência uma ideia fresca para uma cena. O conjunto destas cenas, uma peça.
Aposto que para todo ator, para os amantes da arte é assim. Uma paixão não passa na vida de uma pessoa sem deixar uma marca. Sem fazer toda a diferença.
Obrigada por existir, diferença.
Que a deusa da arte nos acompanhe pelos palcos da vida. Amém.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Adrenalândia

Uma montanha russa incrível. Uma experiência nova. Um lugar desconhecido de portas abertas para você. O arrepio de um beijo bom. Um elogio inesperado. Uma viagem. Um novo dia que nasce sem nenhuma perspectiva. Expectativas.
Pequenas grandes coisas que fazem parte do conjunto que tem o poder de fazer o meu coração pirar. Pura adrenalina.
É, adrenalina. Aquele hormônio presente dentro de todo mundo que faz com que nossas atitudes tenham um gostinho diferente, de quero mais, de necessidade.
Atitudes guiadas pela adrenalina são coisas que mudam a vida, dão sentido, fazem tudo valer a pena e nos levam para coisas novas.
Funciona como uma espécie de gatilho. Você pode não perceber mas, por que será que aquele brinquedo  que parecia monstruoso em um parque de diversões, do nada, perde as garras que te prendem ao medo?
Imperceptível, a adrenalina está lá quietinha, até que é chamada para brigar com o medo. Dependendo da situação, ela vence. E lá está você, pronto. E cheio de coragem.
Há sempre um sentimento que vem lá de dentro que faz o frio na barriga, a angústia, sumir. Como em um passe de mágica tudo parece mais legal. Apetitoso. Apaixonante. Incontrolável.
Uma mistura de coisas que te levam para aquela experiência, elevam, constroem uma sensação maravilhosa e te tornam uma pessoa diferente a cada segundo que passa.
Dentro de cada um existe um espaço reservado para estas atitudes impulsionadas por este maravilhoso hormônio.
Se não fosse a adrenalina, você com certeza não teria coragem de partir para a conquista de quem realmente vale a pena, teria? Sem aquele pensamento positivo, aquela força interior, que te enche de confiança, você acaba sozinho, ou pior, com um alguém errado.
Sem ela, você se fecha em um casulo, preso sempre as mesmas experiências e atitudes. E, desta forma, não cresce, não adiquire mais histórias de vida. Seu espaço inteiror se fecha. Qual é a graça de viver assim?
Qual é a graça de reagir contra os impulsos que te mudam, criam personalidade? Por mais que às vezes as atitudes tomadas sejam equivocadas, há sempre algo positivo para se pensar.
Desde o castigo que você ficava quando pequeno até a bronca fenomenal que você leva de seus pais já , há sempre o arrependimento e a lição que você leva para o resto da vida, e que te ajuda a formular atitudes futuras.
Então a adrenalina é o gatilho, o fermento, o grande incentivo às atitudes que no final, formam a história da sua vida. Aquela que você vai contar, recontar e estruturar como cada nova atitude, cada segundo que passa.
Por isso, quando parar para agradecer pela vida, lembre-se também de dizer um obrigado para suas experiências, para a sua adrenalina. Sem ela você não seria metade do que é hoje.
Não tenha vergonha de dizer: Obrigada vida. Obrigada pelas experiências que vivi e ainda vou viver. Valeu por minha adrenalina. Valeu por este "lugar"dentro de mim reservado para meus impulsos e atitudes. Valeu mesmo, Adrenalândia.
                                        


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

É tempo de renovar, de ser uma nova pessoa!

Complicado voltar quando não se queria ter ido. Congelar uma paixão por que a vida impediu que continuasse.
Pode parecer drama, mas foi exatamente o que aconteceu comigo.
Deixar de escrever foi uma decisão complicada que meus sentimentos tomaram por mim.
Alto-suficiente, meu coraçao decidiu sem antes consultar aquela vontadezinha de compartilhar pensamentos que ardia dentro de mim.
O que me fez congelar o blog foram dias difíceis, problemas familiares, coisas que eu tinha medo de viver e que acabei vivendo. Saldo negativo? Nem tanto. Não que queira que aconteçam novamente, porém, por mais difíceis que tenham sido, me fizeram crescer e olhar o mundo de outra forma. Uma forma mais harmoniosa e atenta aos pequenos detalhes. Pequenos mais que fazem toda a diferença do mundo, mesmo que eu não notasse. Agora tenho novos olhos. Uma visão mais madura, que sabe o que realmente importa. 
Aprendi a driblar minha insegurança, meus sentimentos que sempre me puxavam para trás, me fazendo olhar o mundo preto e branco. Foram estes que me fizeram parar de escrever. Mas agora isso mudou. Hoje sei incluir cores nas imagens que gravo na minha cabeça. Imagens que levarei para o resto de minha vida e que ajudarão a construir a minha história e os textos aqui postados.
Escrever para mim é uma mistura destas imagens, de pensamentos e de sentimentos. Se ultimamente só pensava em coisas ruins, sentia-me triste e exergava preto e branco, como poderia escrever algo construtivo? Minha inspiração não chega com qualquer tipo de vento. Afinal, não é todo dia que a brisa sopra mais forte. E é desta forma que eu funciono. Porém, a partir te agora, minha força irá ajudar estes ventos a seguir a direção que desejo.
Realmente mudei. Passarei a me dedicar a este pequeno espaço na internet, colocando aqui o que realmente me faz feliz. Se escrever é o que amo fazer, pois bem, escreverei até meus músculos doerem. Chega de se deixar vencer por sentimentos mal acabados. O que importa é o que o coração manda. E o meu diz: Vá, se entregue as palavras, viva para o que você ama. E desta vez irei obedecer. Chega de bancar a menina mal criada, que não liga para uma voz de ordem. Chega de deixar a vida acabar com o que realmente me faz feliz. É tempo de renovação!
Por isso, bola para frente, um novo ano surgiu, e com ele, uma pessoa nova acaba de nascer. Um pessoa que está apta a mudanças, a novidades, a realização de sonhos e vontades a muito tempo adormecidas.
E não é só dentro de mim que uma nova pessoa acaba de nascer. Aposto que dentro de você também há uma vontadezinha de mudar, de se renovar...
A minha renovação é voltar a escrever, e a sua?
Dedique-se a sua maior paixão, se não a conhecer, descubra! Isso só pode te fazer bem e irá ajudar a ser essa nova pessoa que você deseja. Só mudamos quando se descobre o real motivo para que isto aconteça.
Eu já descobri e estou pronta, cheia de esperança... e você? Bora ser uma nova pessoa?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Juntos, de qualquer jeito, de qualquer forma (parte 2)

Senti que acordei, mas não conseguia enxergar nada. Estava deitada em uma cama que não era a minha, pude perceber. Não conseguia me lembrar do que estava acontecendo e aonde estava.
Ouvi uma pessoa se proximando. Estremeci assustada.
- Juliana? Minha filha querida! Como você está?
Ah, era minha mãe! Respirei com alívio.
- O que aconteceu?  Por que não estou enxergando?
- Você se esqueceu querida? - senti a voz dela se misturar com lágrimas. - Você fez uma cirugia ontem. Passou por um transplante de córnea. Mas está tudo bem. Estou aqui com você.
Coloquei as mãos perto de meus olhos e senti um curativo grande. Ah, era por isso que eu não estava enxergando. Mas que história era essa de transplante de córnea?
Adormeci novamente.
Desta vez, meus pensamentos foram tomados por um filme de minha vida. Sabe quando você fecha os olhos e tudo bem a sua cabeça, esclarecendo suas dúvidas? Foi exatamente assim que eu me senti. E, honestamente, não queria ter me lembrado do câncer, dos amigos que me abandonaram e da barra que teria que enfrentar dali em diante.
Acordei com o médico me chamando. A voz estava distante... ou será que era eu que ainda sonhava? Não sei. Apenas ouvi uma voz gentil, perguntando como eu estava.
Respondi falando que estava bem, mas sem verdade nenhuma na minha voz.
Senti o médico cortando as ataduras em volta de minha cabeça e me falando para abrir com cuidado os olhos. Fiz isso e o mundo revelou-se novamente. Vi o quarto de hospital, os balões que minha mãe colocara na tentativa de deixar o lugar mais animado e minha família apreensiva, observando.
- Quer ver seus novos olhos, querida? - disse meu pai sorrindo e me dando um espelho de bolso.
Olhei com medo. Mas lá estava meu rosto inchado, mais intacto. E meus olhos... ah, estes estavam verdes como nunca haviam sido.
Mais tarde desta vez sozinha em meu quarto, peguei o espelho novamente e olhei com atenção. Engraçado, conhecia aqueles olhos de algum lugar. Eram penetrantes e de uma serenidade que não era minha. Teria que aprender na marra a viver com eles. O dono daqueles olhos sem dúvidas era alguém mais vivido que eu.
Passei dias que mais pareciam anos no hospital, tentando me adaptar a nova vida e me esforçando para esquecer que meus amigos haviam me abandonado com medo que eu morresse. Que droga! Eu estava viva! Por que me enterraram antes do tempo? Que injustiça!
Quando a enfermeira entrou no quarto, lutei contra as lágrimas que não pareciam ser minhas, tinham um outro gosto e um jeito diferente de cair. Estranho, pensei eu.
- Juliana, um rapaz lhe deixou isso na recepção do hospital hoje. - disse ela animada, mostrando uma caixa do meu chocolate favorito junto de um bilhete. Esperei a enfermeira sair e abri.
Meu coração deu um salto quando vi o nome. Era do André.
Estava digitado no computador. O que achei estranho, vindo de um garoto que sempre gostou do papel e da caneta. Por mais que meus olhos reclamassem do esforço eu li até o fim. O bilhete dizia:
"Ju,
Sinto muito por te deixar sozinha no momento mais difícil de sua vida. Acho que não agi certo, por mais que essa tenha sido a melhor solução que eu tenha achado para o meu problema. Saiba que tranquei minha faculdade e fui passar um mês no campo junto do meu avô, me isolando de tudo e de todos para refletir sobre a vida antes de tomar a decisão mais difícil de minha vida. Por isso sumi.
Assim que você se recuperar quero te encontrar para conversarmos melhor.
Eu te amo muito.
André"
Aguardei ansiosamente a minha ida para casa. Depois, ansiosamente até minha mãe me deixar sair do repouso.
No dia anterior a minha volta para o mundo, mandei uma mensagem para o André. Ele me respondeu com uma ligação. Estava muito estranho, mas mesmo assim consegui marcar um encontro com ele. No fundo, escutei um cachorro latindo. Devia ser o do vizinho, pensei. O André não tinha cachorro.
Quase não consegui dormir aquela noite. Tinha uma estranha sensação de que algo muito forte para eu aguentar iria se revelar. Sinceramente, acho que não aguentaria mais um baque em minha vida.
Cheguei na praça onde marcamos o encontro e sentei no banco, ansiosa. Olhava para as folhas que rodopiavam com o vento quando vi um cachorro cruzando a esquina. A coleira que ele usava não era comum, era uma guia. E finalmente seu dono apareceu, sendo guiado por ele. Seu dono era o André.
Ele se aproximou de mim. Seu cão guia sentou ao lado dele, fiel.
Imediatamente começei a chorar.
- Eu não acredito que você fez isso! - eu disse surtando.
- Eu fiz o que achava certo. Dei a você o que lhe era mais importante.
- Você acabou com a sua vida por minha causa!
- É aí que você se engana. Eu já compreendi como é viver. Se sou forte para tomar esta decisão, posso passar tranquilamente pelos obstáculos da vida. Já você tem muito o que aprender.
Chorei compulsivamente. Queria que fosse que nem nos desenhos animados, onde eu poderia arrancar os olhos e colocar de volta nele. Mas não era assim. Já estava feito. Eu não tinha nada a fazer a não ser fazê-lo se orgulhar da decisão que havia tomado. Decidi driblar minha ingenuidade de menina mal vivida. Agora era a hora de voltar a viver. Respirei fundo, me aproximei dele, beijei-o profundamente e disse sentindo a forte conexão que agora tomava conta de nós:
- Obrigada por trazer minha vida de volta. Eu te amo.
Ele sorriu e respondeu:
- E você, obrigada por me fazer voltar a enxergar neste exato momento.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Juntos, de qualquer jeito, de qualquer forma.

Durante meus dezenove anos, sempre ouvia as pessoas dizerem para aproveitar cada momento, pois a vida, às vezes pregava peças. Eu nunca fui uma adolescente qualquer. Não gostava de sair de casa e ficar com meus poucos amigos, aproveitando cada segundo, ao contrário de todo mundo. Hoje, como me arrependo de não ter feito isso. Talvez, se tivesse aprendido a me virar, a passar pelos obstáculos da vida, conseguisse entender por qual motivo o André fez isso comigo. Minha ingenuidade, mantida até hoje, me fez e faz não entender os reais motivos para que as pessoas tomem determinadas atitudes.
Há cinco anos atrás, eu tinha uma vida perfeita. Podia não ser perfeita para muitas pessoas, mas se encaixava exatamente no meu conceito de felicidade. Eu tinha uma casa confortável e uma família maravilhosa. Tinha um melhor amigo pelo qual mataria e morreria sem pensar duas vezes. Não precisava de mais nada para me isolar em meu mundo. Tudo o que eu queria encaixava-se nele, sem dificuldades. Hoje a vida me ensinou que isso foi pura ingenuidade.
Sempre tive uma saúde perfeita, achava eu, até o dia em que acordei com um peso nos olhos. Fui ao pronto socorro achando que tinha sido mais uma vítima do surto de conjuntivite daquele verão. Mas  me encaminharam para um médico, que me olhou com estranheza e logo me mandou para outro, depois para outro, para outro, para outro, até que me dei conta que estava na sala de espera de um médico oncologista. Em questão de um mês meu mundo desabou. Precisava urgente de um transplante.
Junto do maior baque da minha vida, eu perdi o apoio de meus (eu achava que eram) amigos e minha família passou a me tratar como o próximo espírito a passar para a outra dimensão.
Conseguiria superar tudo se tivesse o apoio de quem eu mais amo neste mundo, o André. Meu melhor amigo desde o jardim de infância. Aquele do qual já havia falado. O irmão escolhido pelo coração e não pelo destino.
Pois bem, ele sumiu durante o mês em que rodei por todos os oftamologistas de minha cidade e procurei por um hospital que me operasse com urgência. Meu coração ficou partido. Nada de meu irmão por perto, segurando meu muro, para que não caisse.
Confesso que entrei na sala de cirurgia naquela manhã fria de segunda feira sem saber realmente se queria retornar. Entre a vida e o amor, eu escolhia com facilidade a segunda opção. Se não tivesse isso, não queria mais nada.
Hoje, lembro somente do médico aplicando a anestesia e de meus olhos se fechando rapidamente. A partir dai, só escuridão.
(CONTINUA)