sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Novidade: De mala e cuia - O guia de viagens da Penseira



Oi!
Assim como uma fênix, a Penseira está ressurgindo das cinzas! \o/
O blog estava parado há tempos, então resolvi coloca-lo na ativa de novo. E, para comemorar em grande estilo, uma novidade está dando as caras por aqui: "De mala e cuia", a nova tag da penseira!
Não entendeu? Explico. Entendeu? Explico mesmo assim. 
Viajar é uma das coisas mais gostosas que existe. É o que eu mais gosto de fazer na vida, desde arrumar as malas até estar no local, descobrir coisas novas e ganhar experiência de vida.
Conheço alguns lugares por ai e vivo falando para as pessoas sobre eles, então resolvi criar este espaço onde posso contar sobre as viagens, dar dicas de passeio, onde ficar, o que comer, etc.
Quase todos estes lugares são dentro do Brasil, o que é legal para quem não pode e não que fazer uma viagem para fora do país aproveitar o que conhecer lugares novos tem a oferecer.
E, para começar bem, o primeiro post do guia é sobre a Caverna do Diabo. Um lugar lindo para quem não quer gastar muito e curtir uma verdadeira obra de arte da natureza. Aguarde!


                           
                                     Fonte imagem: http://blogdelucena.blogspot.com.br/2012/04/de-mala-e-cuia.html 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Bisa

Por todas as vezes que eu disse com orgulho para Deus e o mundo que eu ainda tinha bisavó.
Por todas as vezes que eu me admirei com a sua inteligência e lucidez.
Por todas as vezes em que eu desejei ser metade do que você foi quando tivesse a sua idade.
Por todas as vezes que eu te vi, sempre do seu jeitinho que eu achava tão fofo.
É... o tempo passa e as pessoas se vão...
Seria egoísmo querer mais um dia só para poder te dar um beijo de tchau?
Acho que sim... Pensei melhor e resolvi te recompensar de outra forma:
Pensarei sempre em você nos meus aniversários, quando lembrar que TODOS os anos, sem falta, você me ligava para dar parabéns.
Vou me esforçar ao máximo para colher histórias de vida tão interessantes quanto as suas para um dia contar aos meus bisnetos, como você fazia.
E pode deixar, bisa, vou ser a Ilze Scamparini que você me falava sempre que eu ia ser. E um dia quando eu chegar lá, vou me lembrar de você.
Lembrarei também da sua carne de panela, das festas de natal que você sempre estava presente e de tudo o que você foi... Com o tempo o choro se vai e as boas lembranças ficam. Que assim seja.
Amanheceu, anjo, está na hora de voar.
 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Felizes para sempre



Não queria considerar aquilo uma rotina. Eu saia todas as manhãs e deixava a bagunça para trás. Passava o dia todo fora de casa e quando chegava do trabalho só o pó, encontrava tudo de pernas para o ar e cheirando a cigarro.
Aquilo me irritava, mas eu já deveria saber, afinal, fui eu quem decidiu largar tudo e ir morar com o namorado. Ele é artesão e fuma desde os 14 anos. Era óbvio que ia passar o dia todo em casa, fazendo as únicas coisas que lhe acalmavam. Não ia ser diferente na sua própria casa.Não era direito meu tirar isso dele.
A convivência é uma das chaves mais difíceis de se conseguir na vida. Desejar é uma coisa, viver é outra. É o mesmo esquema da teoria e da prática. Uma grande aventura.
Em meu felizes para sempre, eu nunca imaginei o cheiro de cigarro, a bagunça, as contas para pagar e a louça suja na pia. Era bem diferente do sonho e logo acabou se transformando em um pesadelo alimentado por brigas, ressentimentos e um frio claramente existente entre nós dois. Aquilo era a realidade.
A promessa que havia feito para mim mesma de agüentar os defeitos e tentar amenizar minhas manias também estava cada vez mais esquecida.  
Um dia cheguei cansada do trabalho, joguei minha mochila no sofá cama e encontrei-o sentado pintando uma tela. A casa novamente cheirando a cigarro, um prato sujo ao lado e um copo de cerveja pela metade. Eu irritada, achei que aquilo enfim havia se transformado em uma rotina que eu simplesmente odiava.
Brigamos feio.
No meio da noite eu despertei com os olhos pesados de lágrimas. Ele estava ao meu lado dormindo daquele jeitinho de sempre, encolhido e abraçando o travesseiro.
Eu sentia raiva, mas a sua respiração tranquila e o cabelo bagunçado, me fizeram imediatamente colocar minha mão em seu rosto quente e passar a acariciá-lo como sempre fiz.
E, com os movimentos de vai e vem que me fizeram sentir a sua pele macia no dorso de minhas mãos, a raiva passou e me fez lembrar o porquê de eu ter me apaixonado há quatro anos atrás.
Tudo nele me encantava. Até o cheiro do cigarro era como uma marca que me lembraria para sempre do homem da minha vida. A bagunça trazia a sua presença para sempre ao meu lado me lembrando da razão pela qual eu vivia e queria realizar todos os meus sonhos.
Aquela sim era a minha rotina. Sem nada do que me trazia irritação, a minha realidade não estava completa. Aquilo era meu conceito de felicidade, aquilo era EU.
E quanto ao felizes para sempre? Eu acho a palavra sempre muito pesada. Parece uma regra que você é obrigado a seguir. Prefiro construir a minha própria: vivendo um dia de cada vez e como se fosse o último, dando valor a uma pequena carícia ou mesmo a um prato sujo no chão, você acaba por transformar aquilo em um sempre, e assim construindo a felicidade e considerando a eternidade hoje, aqui e agora.  
Isso é realidade. É ser feliz para sempre. É amor, é vida.   



quarta-feira, 4 de julho de 2012

A bomba relógio

É como uma bola presa no meio da garganta. Não dá pra respirar. Ar não desce, ar não sobe.
É como uma mordaça invisível que impede de falar, expor opinião, sem respeitado pelo que pensa.
É a falta de coragem de arriscar o novo, de ser aquilo que se quer ser e não o que os outros decidem.
É a obrigação invisível de seguir trejeitos, regras e atitudes da sociedade sem concordar com nada disso.
É uma situação que cresce cada vez mais, engorda, toma proporções que não pode se controlar.
É algo que, a medida que o tempo passa, não para de crescer.
É sentir-se desesperado por não poder fazer tudo o que se quer fazer.
É fechar os olhos para tudo o que se considera errado, e fingir que acredita.
É sentir-se perdido, sem saber o que fazer. Ponto preto na areia do deserto.
É gritar a plenos pulmões sem que ninguém escute.
É fingir-se de cego quando se consegue ver.
É sustentar uma situação por medo da reação dos outros quando não se aguenta mais.
É manter um sorriso por fora quando as palavras começam a faltar.
É observar coisas maravilhosas acontecendo e nem isso bastar.
É saber que é ridículo sentir-se assim, injusto, mas não saber como lidar.
É sentir receio e não saber como nem quando esta bomba relógio vai estourar.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sétima arte - Top 5: Johnny Depp

E a tag "Sétima arte" voltou! Adoro esta parte do blog!
E, para comemorar a volta em grande estilo, vamos levar em consideração o filme que estreia hoje (sexta feira, 22/07/2012), "Sombras da noite" com o genial ator Johnny Depp e fazer um Top 5 dedicado ao seu trabalho.
Tarefa quase impossível escolher SÓ cinco filmes dele, mas não poderia me estender muito, né? Foi difícil, mas vamos lá:
O ATOR
John Christopher Depp II nasceu na cidade de Owensboro no estado de Kentucky, Estados Unidos no dia 9 de junho de 1963.
Foi graças a seu primeiro casamento, com a maquiadora Lori Anne Allison que Depp foi apresentado ao mundo do cinema através do também ator, Nicolas Cage. Devido a ajuda de Cage ele conseguiu seu primeiro papel, no filme "A hora do pesadelo".
a partir dai, vieram outros trabalhos que o consagraram como um ator de verdade e não somente como um rosto bonito.
Em 1990, Johnny conheceu o excêntrico diretor Tim Burton, firmando uma amizade e parceria de trabalho que já dura anos.
Seu primeiro trabalho como diretor foi com o filme "O Bravo" em 1997.
Foi com o trabalho na franquia "Piratas do Caribe" como o capitão Jack Sparrow, que Depp caiu nas graças do público e de Hollywood, recebendo sua primeira indicação ao Oscar em 2004.
Johnny é conhecido pelas suas idas e vindas na vida pessoal e amorosa mas isso não tira seu talento como ator.

TOP 5


A JANELA SECRETA (SECRET WINDOW) - 2004
A Janela Secreta é um filme de suspense baseado em um livro de ninguém menos que Stephen King.
Mort Rainey (Johnny Depp) é um bem sucedido autor de livros comerciais que está passando por uma crise pessoal: ele acabou de ser traído por sua esposa e consequentemente sofreu uma separação muito dolorosa, o que causou um bloqueio criativo e uma vontade de não fazer nada.
Tomado por este sentimento, Rainey muda-se para uma sombria cabana na beira de um lago e lá não faz nada senão dormir e amargar a separação.
Se tudo estava ruim, poderia piorar: Certo dia Mort é acusado de ter plagiado o livro do estranho psicótico John Shooter. E, apesar dos esforços de Rainey para conte-lo, John decide se vingar utilizando métodos radicais como assassinato a sangue frio.
Diante desta situação, Rainey acaba envolvido em um jogo mental de gato e rato e descobre ter mais determinação do que jamais imaginou.
O que ele não poderia sequer imaginar é que Shooter parece o conhecer melhor do que ele próprio.
É um filme com desenrolar fantástico e um final mais fantático ainda. Vale a pena.
Com Johnny Depp e John Turturro. Direção de David Koepp. 

A NOIVA CADÁVER (CORPSE BRIDE) - 2005
Teria que ter uma animação no nosso Top 5, né? Esta em particular eu amo e é resultado de uma das parcerias de Johnny Depp com o diretor Tim Burton.
É um trabalho todo em stop - motion (Para quem não sabe, Stop - Motion é uma técnica de fotografia que "monta" o filme, quadro por quadro, ou seja, foto por foto) baseado em um conto russo-judáico do século XIX  que se passa na era vitoriana, na Inglaterra.
O trabalho de Depp neste filme é de dublador da personagem principal Victor Van Dort, um rapaz que está "condenado" a casar com uma moça que ele não conhece para "salvar" sua família de ficar pobre.
Nervoso, com medo de fracassar, na véspera do casamento, Victor vai até a floresta e começa a ensaiar os votos do casamento, colocando uma aliança em um galho de árvore. O que ele não poderia imaginar é que aquele galho era a "mão" de uma adorável noiva, chamada Emily (dublada por Helena Bonham Carter, esposa de Tim Burton) que está morta. Assim, Victor acaba conhecendo o mundo dos mortos. Muito mais divertido do que onde ele mora.
Com as vozes de Johnny Deep e Helena Bonham Carter. Direção de Tim Burton.


SWEENEY TODD: O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET (SWEENEY TODD: THE DEMON BARBER OF FLEET STREET) - 2007
Este filme é mais um resultado da parceria Depp - Burton. É um fantástico filme do gênero musical - suspense baseado em uma produção teatral da broadway.
Benjamin Barker (Johnny Depp) é um barbeiro que foi obrigado a deixar a esposa e a filha para trás. Após quinze anos ele volta à Inglaterra ávido por vingança. Ele volta a sua antiga barbearia que acabou sendo transformada em uma loja de tortas incomuns preparas pela Mr.Lovett (Helena Bonham Carte - olha ela aí de novo!).
Decidido a se vingar do juiz Turpin (Alan Rickman) que causou a separação entre ele e a família sob uma falsa acusação, barker, agora com o nome de Sweeney Todd, passa a trabalhar novamente na barbearia deixando seus clientes de um jeito uhn... digamos, diferente.
As músicas são fantásticas e deixam o filme com um clima diferente e fantástico, marcado pela excentricidade de Depp, Burton e Carter.
Com Johnny Depp e Alan Rickman. Direção de Tim Burton.



O TURISTA (THE TOURIST) - 2010
Este é fantástico. Constumo dizer que este é um filme com o final COMO ASSIM?.
Elise Clifton-Ward (Angelina Jolie) é acompanhada de perto pela equipe chefiada pelo inspetor John Acheson (Paul Bettany) pois ela viveu por um ano com Alexander Pearce, procurado pela polícia devido a sonegação de impostos em torno de 700 milhões de libras. O rosto de Pearce é desconhecido por todos e até por Elise, já que ele passou por diversas plásticas para escapar de perseguidores. Ele enfim entra em contato com Elise ao lhe enviar um bilhete, onde pede que vá encontrá-lo em Veneza e, no caminho, procure alguém com tipo físico parecido com o seu, para enganar a polícia.
Obedecendo Alexander, Elise vai a Veneza e conhece o professor Frank Tupelo (Johnny Depp) no trem à caminho da cidade italiana. Inpressionado com a beleza de Elise, Frank aceita a oferta de acompanha-la ao hotel. Só que logo Frank se torna alvo de Reginald Shaw (Steven Berkoff), um poderoso gângster que teve mais de US$ 2,5 bilhões roubados por Pearce. A partir dai, começa um emocionante jogo de gato e rato com um final surpreendente.
Apesar da fórmula americana manjada de colocar dois atores atraentes como protagonistas para chamar a atenção do público, vale a pena assistir.
Com Johnny Depp e Angelina Jolie. Direção de Florian Henckel Von Donnersmarck.



PIRATAS DO CARIBE - início: 2003
Esse não teve como escolher um só da franquia, iniciada em 2003 e que começou a ser dirigida pelo diretor de "O Chamado", aquele filme famoso da menina que sai da televisão e sua fita de vídeo.
Jack Sparrow ganhou um "estilo" todo diferenciado graças ao trabalho de Depp. Não é possível olhar para ele e não rir do seu jeito de andar, falar e tomar atitudes.
O tema "Pirataria" não era bem visto pela crítica antes da estreia do filme, mas a história acabou envolvendo os críticos e também o público, rendendo quatro filmes: A maldição do Pérola Negra, O baú da morte, No fim do mundo e Navegando em águas misteriosas.
A história é complexa devido a quantidade de fatos, mas, resumindo, são as aventuras do pirata Jack Sparrow, Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swan (Keira Knighley) que envolvem não só confusões "pessoais", misturando até mesmo pessoas poderosas do governo do Caribe. O mais legal é que ao desenrolar da história há a entrada de personagens basesadas em fatos reais como o navio Holandês Voador e o pirata barba Negra.
Vale ressaltar os cenários maravilhosos do Caribe, a produção e maquiagem fantásticas e a trilha sonora, feita pelo genial Hans Zimmer, velho conhecido da música na sétima arte.
A interpretação de Depp não é o principal fator, mas não há como negar que grande parte do sucesso do filme vem da irreverente formulação que ele deu à personagem rendendo vários prêmios a franquia.
Com Johnny Depp e Orlando Bloom. Saga desenvolvida pelos roteiristas Ted Elliot e Terry Rossio.
 PS: Esta saga merece um post de "Sétima Arte" exclusivo não acha?
Importante ressaltar que os filmes estão selecionados por ordem de estreia e não por preferência minha.
Acho que o Johnny Depp vale mais uma edição do Top 5, rs... 
Esta foi o Top 5 de hoje. Gostou? Deixa um comentário, dúvida, crítica, sugestão. Você escolhe!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Anjo ou ilusão?

                                              
Eu acordei aquela manhã com um estranho bom humor. Fazia tempo que eu não levantava da cama sorrindo. Talvez tivesse sido aquele sonho com o rapaz de voz doce que eu tive. Tão gostoso,
reconfortante...
Era uma pena que sorriso sumiu tão rápido do meu rosto quando olhei minha lista de tarefas do dia. A primeira coisa que fiz foi olhar a data: 20 de maio. Fazia exatamente um ano que eu havia me mudado para o Brasil.Mas precisamente de Londres para o Rio de janeiro.
Podia parecer uma aventura alucinante mudar para um país tão diferente do meu e começar uma vida nova. Mas, para mim, isso trazia um medo sem tamanho. Eu não queria deixar minha amada cidade para trás. Eu detestava calor e não sabia uma palavra de português. Estava totalmente fora da minha zona de conforto. Mas, infelizmente, eu, com meus dezenove anos, ainda não havia construído nada na vida. Não tinha condições de ficar na Inglaterra. Tive que vir para o Rio junto com os meus pais e aceitar esta mudança que acabava comigo aos poucos. E o pior é que só eu sabia disso. Ninguém parecia acreditar e levar a sério o que eu sentia.
Então aquele vinte de maio eu resolvi que seria diferente. Não adiantava ficar chorando em casa. As lágrimas que eu derramaria não me trariam o Big Ben ou a rainha Elisabeth de volta. Eu teria que fazer algo diferente para esquecer aquele aniversário amargo. Pensei muito e decidi esquecer o meu medo e realizar um desejo guardado desde a primeira semana no Brasil: pular de parapente. E não queria nenhum instrutor perto de mim. Eu iria sozinha. Se me acontecesse algo, tudo bem. Eu não me importava.
E, desta vez, o destino parecia finalmente estar do meu lado, pois, o antigo morador da minha casa havia deixado um equipamento no sotão. E era aquele que iria usar. A adrenalina subia como fogo pelo meu corpo.
Arrastei o equipamento até o carro e coloquei no bagageiro. Peguei a chave escondida do meu pai e as aulas de direção vieram todas na minha mente como em um filme, afinal eu havia acabado de aprender a dirigir. Mas, novamente, eu não estava ligando.
Dirigi em direção a São Conrado o mais rápido que minha ansiedade permitiu. Pareceu uma eternidade, mas eu cheguei, estacionei o carro, fechei os olhos e comecei a pensar na loucura que estava prestes a cometer.
Meus olhos fechados começaram a perceber uma explosão de cores em minha mente. Era muito estranho. Preto, azul,  verde, passando tudo muito rápido como se eu estivesse correndo. De repente tons de cinza se aproximando,  preto novamente e dor. Muita dor. Depois, aos poucos, o preto indo embora e dando espaço a um jogo de luzes vermelhas e muito barulho. E do nada, as luzes vermelhas foram tapadas pela visão de asas ligadas a um corpo humano. E eu abri os olhos.
Estava dentro do carro. E tinha dormido.
"Que droga", pensei. "Estou perdendo tempo e daqui a pouco alguém virá me procurar."
Pulei para fora do carro rapidamente, peguei o equipamento, esqueci o sonho (ou será delírio?) que tinha acabado de ter e comecei a me preparar.
Aqueles vídeos na internet sobre voos de parapente ajudaram muito a montar tudo rapidamente. E, cerca de 40 minutos depois, lá estava eu, pronta para pular de mais de quinhentos metros de altura.
O Rio de Janeiro parecia muito mais bonito e atraente lá de cima, Os braços do Cristo pareciam abraçar a minha loucura.  Não pensei duas vezes. Corri em direção ao abismo e... pulei.
Ah, que delícia o vento batendo no meu rosto. A adrenalina aumentando. O parapente aberto acima de mim ofuscando o céu, dando-me cobertura para aproveitar e ver o medo e a tristeza indo embora. Simplismente maravilhoso. A cidade, acabando de acordar, passando lá embaixo, parecendo formigas. Meu medo estava do tamanho delas e a coragem, maior que o Cristo.
O céu azul, passando muito rápido por mim, pareceu-me familiar. Quando passei próximo a vegetação do morro, borrões de verde começaram a invadir meus olhos e a familiaridade aumentou. Verde, verde, verde, depois cinza, se aproximando demais de mim. Algo começou a dar errado. Perto de mais, perto de maaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiissssssss. Dor. Preto.

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   Abri os olhos sem saber o que estava acontecendo. Luzes vermelhas piscavam perto de mim, o que me    incomodou muito. O barulho que elas faziam, pareciam com uma....sirene. Mas o que poderia ser aquilo?
E ai senti uma dor incrivelmente forte que não sabia de onde havia vindo. Meus olhos estavam embaçados mas eu consegui perceber que havia muita gente em volta de mim e um cheiro de brisa do mar, areia, misturados com o aroma salgado de sangue.
Das poucas partes que conseguia sentir de meu corpo, consegui identificar meu braço, e, mesmo explodindo de dor, tateei o chão e senti a areia. Ao lado, o parapente. Ou o que restou dele.
Ainda zonza, tentei levantar a mão e algo me impediu.
Tentei focar meus olhos e percebi que uma figura humana é que havia feito aquilo. Senti uma mão encostada em meu ombro e uma voz doce e suave dizendo.
- Você está bem? Qual é o seu nome?
E ai, meus olhos começaram a fechar de novo, mas antes do preto total, vi algo parecido com as asas de um anjo...
Sonho ou realidade? Anjo ou homem?
(E AI, LEITOR(A), CONTINUA?)
                                         


                                                 




terça-feira, 10 de abril de 2012

SÉTIMA ARTE - Top 5: Luz, câmera, ação e muitas lambidas!

Inauguro hoje uma das minhas partes favoritas do "novo" blog, a tag "Sétima arte" que contará um pouco sobre o maravilhoso mundo do cinema.
E, para começar bem, vamos estrear o top 5 com um tema que cheira a fidelidade e muitas lambidas: a relação entre o homem e os cachorros!
Quem me conhece sabe que eu quase não amo animais, rs. Por isso resolvi trazer alguns filmes que mostram essa relação maravilhosa e milenar. Vamos lá:

1) Lassie e a força do coração (1943) - Lassie Come home
O mais antigo da lista e talvez aquele clássico de seção da tarde que todo mundo já assistiu. Clichê ou não, esse filme é lindo e mostra como a lealdade de um cachorro pode vencer distâncias.
Sinopse: A cadela Lassie é vendida por seus donos que estão passando por graves problemas financeiros. Mas a amizade e a lealdade com eles é mais forte que a distância, e Lassie viaja mais de mil milhas para voltar à verdadeira família.
Mais de sessenta e cinco anos passaram e Lassie continua na memoria de muita gente. Não há como esquecer do Collie mais famoso do mundo e de todo seu amor.
Com Elizabeth Taylor e Roddy Mcdowall. 
Estados Unidos, 1943, 89 minutos, livre. 
Cartaz original:
                 Fonte: http://www.americanas.com.br/produto/338998/dvd-lassie-e-a-forca-do-coracao

2) Beethoven, o magnífico (1992) - Beethoven
Outro adorável clássico de seção da tarde. Como não lembrar das confusões (ou cãofusões, rs) que esse "pequeno" cachorro causava? Cômico pensar que uma família com um pai que não queria nem um minipoodle, foi arranjar logo um São Bernardo!
O mais legal é ver que tudo o que ele aprontava não passava de traquinagem inocente, de coisa de cachorro mesmo, sem maldade. 
Impossível não deixar de lembrar também das continuações (eu, pessoalmente, gosto só da dois) onde aparecem mais situações divertidas, sua namorada e seus filhotinhos (ownnnnnnnn).
Sinopse: Beethoven é um cachorro da raça São Bernardo adotado escondido pelas crianças da família Newton. No começo, os três filhos cuidam do filhote sem contar ao pai, que não queria nenhum cachorro em casa, mas, aos poucos, o segredinho cresce demais para caber embaixo da cama. O pai primeiro reluta e depois acaba aceitando o bichinho, sem saber as enormes confusões que ele traria à família. 
Com Charles Grodin e Bonnie Hunt.
Estados Unidos, 1992, 87 minutos, livre.
Cartaz original:
                             Fonte:http://www.clubcine.com.br/filme/beethoven--o-magnifico/12292 

3) Spot, Um cão da pesada (2001) - See Spot run
Adoro esse. É uma comédia daquelas bem simples mas muito divertida, onde podemos dar boas risadas e ainda descobrir a situação contraria: Como o amor de um dono pode mudar um cachorro.
Sinopse: Spot é um cachorro do FBI que foi treinado a vida toda para somente servir, sem diversão e uma vida de cachorro "de verdade". Depois de fugir de um programa de proteção à testemunha, ele vai parar nas mãos de um garotinho que está sendo cuidado pelo carteiro Gordon Smith, que, por sua vez, sempre se orgulhou por nunca ter sido pego por um cachorro durante o trabalho. Ironia ou não, Spot vai parar na casa de Gordon, que quer agradar o garotinho com a intenção de chamar a atenção da a mãe dele, por quem é apaixonado. A partir dai, várias situações divertidas ocorrem e o carinho com que Spot é tratado pelo garoto transforma-o de um cachorro carancudo em um bichinho de estimação de verdade.
Com  David Arquette e Michael Clarke Duncan
Estados Unidos, 2001, 94 minutos, livre.
                                       Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-35126/
4) Marley & Eu, 2008 - Marley and Me
Quem leu o livro de John Grogan sabe do que eu estou falando. Este é um filme/livro maravilhoso que arranca risadas e lágrimas (e bota lágrimas nisso) ao mesmo tempo. A história verídica vivida pelo próprio autor, mostra que o amor não é sempre bonitinho e direito. Ele pode vir de um labrador trambolhão de 45 quilos e ainda te ensinar o verdadeiro sentido da vida.
Sinopse: John casou-se recentemente com Jennifer e os dois se mudam para West Palm Beach na Flórida, prontos para iniciar uma nova vida. Preocupados com a capacidade de ambos de serem pais, o casal decide comprar um filhote de Labrador, que logo se transforma em um terremoto em forma de bicho de estimação, que ao mesmo tempo que destroe a casa, constroe uma família unida pelo amor verdadeiro.
Quem já teve um cachorro que não está mais por aqui sabe bem o quanto este filme emociona.
Curiosidade: Para o papel de Marley, foram utilizados 22 cachorros! Imagina ter 22 Marleys dentro de casa? Não sobra nada, né?
Com Owen Wilson e Jennifer Anniston.
Estados Unidos, 2008, 120 minutos, 10 minutos
Cartaz:
                                       Fonte: http://www.cubodown.com/marley-e-eu-pedido

5) Sempre ao seu lado, 2009, Hachiko: A Dog's story
Outro emocionante fato verídico. Quem conhece a história sabe que é impossível não chorar com este maravilhoso exemplo de lealdade entre homem e cão. 
Sinopse: Mesmo sabendo que sua esposa era contra animais, Parker Wilson leva para casa um filhote de Akita que encontra na estação de trem. E, com muita insistencia, consegue adotar o bichinho, que já vem com o nome Hachi escrito em japonês em sua coleira. Leal, o akita cresce e todos os dias acompanha o dono até a estação de trem, esperando seu retorno no mesmo lugar. Esta situação se repete por vários anos, até que um fato inesperado acontece e muda para sempre sua vida. 
Sempre ao seu lado é uma refilmagem de Hachiko Monogatari, que conta a história real do cachorro, situada no Japão.
Com Richard Gere e Joan Allen
Estados Unidos, 2009, 93 minutos, Livre.
                                 Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Hachiko:_A_Dog%27s_Story

Esse foi o top 5, classificado por ano de estreia e não por preferência. 
Se gostou deixe um comentário, com sugestões, críticas ou elogios! Isso ajuda a ter mais posts como esse no blog!
Um beijos para os outros cinelovers do mundo!
 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

GARIMPO - Que tal dar um "curtir" no seu banho?

Inauguro hoje a tag "Garimpo" que, como eu disse ontem, trará coisinhas legais que dá pra comprar por ai.
Hoje, viajando pela internet, achei uma coisa que com certeza usarei para decorar meu banheiro quando tiver minha casa, hahaha.
Você não consegue sair do Facebook? Sem problemas, leve seu perfil para o banho!
Olha só essa cortina:
Fala sério! Não é muito legal? Imagina que divertido tomar banho assim!
Quer uma foto sua usando uma touca de patinho ou com a cabeça cheia de sabão? Coloque o rosto na parte transparente e voilá, ai está você, um viciado em internet, tomando banho!
Claro que é só uma brincadeirinha, mas é ideal para quem gosta de uma decoração divertida, né?
Pelo que eu saiba não existe nenhuma empresa no Brasil que tenha feito uma igual, mas você pode adquirir uma dessas pela internet, isso é, se você estiver disposto a gastar aproximadamente 5o reais pelo item.
A venda no site http://www.spinninghat.com/product/social-shower-curtain por 15 libras.
Gostou da tag garimpo? Alguma sugestão de post?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"A penseira" de cara nova e cheia de novidades!

Segundo o dicionário, blog é um site cuja estrutura permite a atualização rápida por meio de artigos ou posts. Geralmente funcionam em ordem cronológica e... Blá, blá,blá...
Um monte de palavras aleatórias que caracterizam um lugar que pode funcionar como refúgio ou simplismente um "depósito" de pensamentos. Para mim serve como as duas coisas e muito, muito mais. Aqui, colocava somente textos, devaneios da minha imaginação. Mas, há no mundo muitas outras coisas em que acredito, que amo e que quero escrever sobre, mostrar ao mundo, sonhar, criar, descobrir. Pois bem, é isso que eu vou fazer a partir de agora. O blog ganhou (e eu também. Digamos de passagem) as seguintes novas categorias:
DEVANEIOS: Tá, essa não vale. Já existia e era o único conteúdo do blog, mas, para quem não sabe, essa é uma categoria onde estão todos os meus textos, coisas que imaginei, criei e compartilhei com vocês. Fico feliz em dizer que ela não está mais sozinha! "A penseira" não terá mais apenas um conteúdo!
OLHAR: Essa é nova e vem junto da minha recém descoberta paixão e vício. A fotografia. A tag "olhar" será semanal e trará uma imagem feita por mim ou encontrada na internet. O lugar de onde veio é o que menos importa. O que vale mesmo é que ela trará uma visão de mundo, um olhar sobre algo que despertou minha atenção.
SÉTIMA ARTE: Pois é, amo cinema. Adoro a magia que um efeito especial, uma frase bonita ou uma cena chocante causa em mim. Cinema é muito mais que aquele filminho que a gente assiste na sexta feira com os amigos. É história, é produção, é curiosidade, é paixão, é um infinito onde conhecemos apenas algumas estrelas. Que tal saber um pouco mais sobre esse mundo maravilhoso?
CURIOSIDADES: Essa é muito legal pois trará coisas e histórias que nem imaginamos que existe. Tem tanta coisa que a gente não conhece, né? Tanta coisa para descobrir! Aqui você descobrirá. Garanto que é muito interessante e principalmente...divertido!
MÚSICA E ALMA: Quer melhor remédio para a alma do que música? Acho não existe. Nessa tag haverá letras de músicas e suas traduções. Ideal para você que adora ouvir uma música boa e ficar cantarolando ela o dia inteiro.
CULTURANDO: Essa daqui trará livros que eu li, exposições visitadas, coisas legais, nerdices.. enfim tudo que for relacionado a preciosa cultura (A única coisa que ninguém pode tirar de você, né?)
GARIMPO: Pensa que só de shopping vive as compras? Que nada! Há muito coisa por ai! Às vezes aquilo que procuramos está bem escondido, naquela lojinha tamanho ovo ou naquele site da última página do Google. Que tal encher o carrinho com coisas legais?
Ufa, Acho que é só isso (SÓ ISSO? HEHEHE) Enfim, estamos de nova fase, novo conteúdo. E você pode ajudar! Quer ver algum conteúdo diferente por aqui? Quer dar uma sugestão? Fique a vontade! Sua opnião é muito bem vinda! Deixe-a nos comentários :)
 Cintos afivelados e um turbilhão de ideias Let's go!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um teatro, um ator, a arte, uma só paixão.

Ah, o teatro. Para a maioria das pessoas, somente mais uma casa de espetáculos. Mas, para mim, para um ator, um pequeno espaço onde a capacidade de sonhar, de respirar arte, é infinita.
Atuar é uma mistura dos cinco sentidos humanos, mágicos...
Tudo comça ao pisar em um teatro, velho, moderno, com ou sem recursos. O bom ator emociona a platéia sem possuir nada, apenas sensibilidade, vontade de demonstrar arte.
Um último ensaio, traz a mistura dos sentidos, a afirmação de que se está vivo, coração batendo, sorriso no rosto.
É maravilhoso sentir o papel do texto tocando suas mãos. É fantástico pisar no palco e descobrir o seu verdadeiro chão.
O camarim é o lugar onde o ator se prepara para demonstrar a arte. O cheiro de maquiagem barata e quase no fim, se mistura ao cheiro de figurino, lavado ou não, muita gente junta, o aroma de um elenco unido, que aquece o coração.
Os atores se unem, todos por um só objetivo. A vontade incontrolável de transmitir emoção ao público.
Ah, o público... A incrível capacidade de modificar completamente o trabalho do ator. Ouvi-lo chegando, se acomodando, conversando animado, as crianças gritando o famoso "começa, começa, começa" é uma das sensações mais fantásticas que quem se dedica a arte pode sentir.
A peça começa e junto dela vem o blackout. A visão do ator se aguça. Pois sim, somente quem é um ator de verdade, consegue enxergar na escuridão, como se fosse um bonito dia de sol.
E, como se estivesse próximo do grande astro, o ator sente o suor escorrer por seu rosto como chuva. O gosto salgado logo se mistura com a sede. Sede de água, de arte, de palco, de fazer o que mais gosta.
Fazer o que mais se gosta é sentir-se vivo, finalmente compreendido. É quebrar um dedo, cair, se machucar e ainda dar risada disso. É considerar a arte parte indispensável de sua vida.
Para o ator, a vida longe de um palco, de uma peça, de um "merda" de boa sorte, perde a graça, perde a magia. O som que as pessoas emitem torna-se irritante, o escuro vira novamente o escuro, o gosto do suor volta a ser nojento, o chão onde se pisa mero complento do ambiente, assim como o tato, que passa despercebido.
Para quem já encontrou os encantos da deusa da arte, do teatro, é impossível não sentir falta de estar no palco. É impossível não sentir orgulho de seu olhar sensível, é comum encontrar um figurino a cada roupa que se vê, é comum montar uma personagem a cada pessoa curiosa que se encontra.
Por isso me orgulho em dizer que o palco é meu verdadeiro abrigo. Que para mim boa sorte é "merda", que roupa é figurino. Que pessoa é personagem. Que o abraço mais reconfortante que existe é um aplauso. Que  meus olhos cerram junto da cortina ao fim da representação.
Nada irá me tirar da peça de teatro que rege minha vida. Ainda sentir milhares de vezes estas sensações mágicas, ouvir muitos aplausos. Ainda conto com a mão da deusa da arte, pronta para fazer da minha existência uma ideia fresca para uma cena. O conjunto destas cenas, uma peça.
Aposto que para todo ator, para os amantes da arte é assim. Uma paixão não passa na vida de uma pessoa sem deixar uma marca. Sem fazer toda a diferença.
Obrigada por existir, diferença.
Que a deusa da arte nos acompanhe pelos palcos da vida. Amém.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Adrenalândia

Uma montanha russa incrível. Uma experiência nova. Um lugar desconhecido de portas abertas para você. O arrepio de um beijo bom. Um elogio inesperado. Uma viagem. Um novo dia que nasce sem nenhuma perspectiva. Expectativas.
Pequenas grandes coisas que fazem parte do conjunto que tem o poder de fazer o meu coração pirar. Pura adrenalina.
É, adrenalina. Aquele hormônio presente dentro de todo mundo que faz com que nossas atitudes tenham um gostinho diferente, de quero mais, de necessidade.
Atitudes guiadas pela adrenalina são coisas que mudam a vida, dão sentido, fazem tudo valer a pena e nos levam para coisas novas.
Funciona como uma espécie de gatilho. Você pode não perceber mas, por que será que aquele brinquedo  que parecia monstruoso em um parque de diversões, do nada, perde as garras que te prendem ao medo?
Imperceptível, a adrenalina está lá quietinha, até que é chamada para brigar com o medo. Dependendo da situação, ela vence. E lá está você, pronto. E cheio de coragem.
Há sempre um sentimento que vem lá de dentro que faz o frio na barriga, a angústia, sumir. Como em um passe de mágica tudo parece mais legal. Apetitoso. Apaixonante. Incontrolável.
Uma mistura de coisas que te levam para aquela experiência, elevam, constroem uma sensação maravilhosa e te tornam uma pessoa diferente a cada segundo que passa.
Dentro de cada um existe um espaço reservado para estas atitudes impulsionadas por este maravilhoso hormônio.
Se não fosse a adrenalina, você com certeza não teria coragem de partir para a conquista de quem realmente vale a pena, teria? Sem aquele pensamento positivo, aquela força interior, que te enche de confiança, você acaba sozinho, ou pior, com um alguém errado.
Sem ela, você se fecha em um casulo, preso sempre as mesmas experiências e atitudes. E, desta forma, não cresce, não adiquire mais histórias de vida. Seu espaço inteiror se fecha. Qual é a graça de viver assim?
Qual é a graça de reagir contra os impulsos que te mudam, criam personalidade? Por mais que às vezes as atitudes tomadas sejam equivocadas, há sempre algo positivo para se pensar.
Desde o castigo que você ficava quando pequeno até a bronca fenomenal que você leva de seus pais já , há sempre o arrependimento e a lição que você leva para o resto da vida, e que te ajuda a formular atitudes futuras.
Então a adrenalina é o gatilho, o fermento, o grande incentivo às atitudes que no final, formam a história da sua vida. Aquela que você vai contar, recontar e estruturar como cada nova atitude, cada segundo que passa.
Por isso, quando parar para agradecer pela vida, lembre-se também de dizer um obrigado para suas experiências, para a sua adrenalina. Sem ela você não seria metade do que é hoje.
Não tenha vergonha de dizer: Obrigada vida. Obrigada pelas experiências que vivi e ainda vou viver. Valeu por minha adrenalina. Valeu por este "lugar"dentro de mim reservado para meus impulsos e atitudes. Valeu mesmo, Adrenalândia.
                                        


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

É tempo de renovar, de ser uma nova pessoa!

Complicado voltar quando não se queria ter ido. Congelar uma paixão por que a vida impediu que continuasse.
Pode parecer drama, mas foi exatamente o que aconteceu comigo.
Deixar de escrever foi uma decisão complicada que meus sentimentos tomaram por mim.
Alto-suficiente, meu coraçao decidiu sem antes consultar aquela vontadezinha de compartilhar pensamentos que ardia dentro de mim.
O que me fez congelar o blog foram dias difíceis, problemas familiares, coisas que eu tinha medo de viver e que acabei vivendo. Saldo negativo? Nem tanto. Não que queira que aconteçam novamente, porém, por mais difíceis que tenham sido, me fizeram crescer e olhar o mundo de outra forma. Uma forma mais harmoniosa e atenta aos pequenos detalhes. Pequenos mais que fazem toda a diferença do mundo, mesmo que eu não notasse. Agora tenho novos olhos. Uma visão mais madura, que sabe o que realmente importa. 
Aprendi a driblar minha insegurança, meus sentimentos que sempre me puxavam para trás, me fazendo olhar o mundo preto e branco. Foram estes que me fizeram parar de escrever. Mas agora isso mudou. Hoje sei incluir cores nas imagens que gravo na minha cabeça. Imagens que levarei para o resto de minha vida e que ajudarão a construir a minha história e os textos aqui postados.
Escrever para mim é uma mistura destas imagens, de pensamentos e de sentimentos. Se ultimamente só pensava em coisas ruins, sentia-me triste e exergava preto e branco, como poderia escrever algo construtivo? Minha inspiração não chega com qualquer tipo de vento. Afinal, não é todo dia que a brisa sopra mais forte. E é desta forma que eu funciono. Porém, a partir te agora, minha força irá ajudar estes ventos a seguir a direção que desejo.
Realmente mudei. Passarei a me dedicar a este pequeno espaço na internet, colocando aqui o que realmente me faz feliz. Se escrever é o que amo fazer, pois bem, escreverei até meus músculos doerem. Chega de se deixar vencer por sentimentos mal acabados. O que importa é o que o coração manda. E o meu diz: Vá, se entregue as palavras, viva para o que você ama. E desta vez irei obedecer. Chega de bancar a menina mal criada, que não liga para uma voz de ordem. Chega de deixar a vida acabar com o que realmente me faz feliz. É tempo de renovação!
Por isso, bola para frente, um novo ano surgiu, e com ele, uma pessoa nova acaba de nascer. Um pessoa que está apta a mudanças, a novidades, a realização de sonhos e vontades a muito tempo adormecidas.
E não é só dentro de mim que uma nova pessoa acaba de nascer. Aposto que dentro de você também há uma vontadezinha de mudar, de se renovar...
A minha renovação é voltar a escrever, e a sua?
Dedique-se a sua maior paixão, se não a conhecer, descubra! Isso só pode te fazer bem e irá ajudar a ser essa nova pessoa que você deseja. Só mudamos quando se descobre o real motivo para que isto aconteça.
Eu já descobri e estou pronta, cheia de esperança... e você? Bora ser uma nova pessoa?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Juntos, de qualquer jeito, de qualquer forma (parte 2)

Senti que acordei, mas não conseguia enxergar nada. Estava deitada em uma cama que não era a minha, pude perceber. Não conseguia me lembrar do que estava acontecendo e aonde estava.
Ouvi uma pessoa se proximando. Estremeci assustada.
- Juliana? Minha filha querida! Como você está?
Ah, era minha mãe! Respirei com alívio.
- O que aconteceu?  Por que não estou enxergando?
- Você se esqueceu querida? - senti a voz dela se misturar com lágrimas. - Você fez uma cirugia ontem. Passou por um transplante de córnea. Mas está tudo bem. Estou aqui com você.
Coloquei as mãos perto de meus olhos e senti um curativo grande. Ah, era por isso que eu não estava enxergando. Mas que história era essa de transplante de córnea?
Adormeci novamente.
Desta vez, meus pensamentos foram tomados por um filme de minha vida. Sabe quando você fecha os olhos e tudo bem a sua cabeça, esclarecendo suas dúvidas? Foi exatamente assim que eu me senti. E, honestamente, não queria ter me lembrado do câncer, dos amigos que me abandonaram e da barra que teria que enfrentar dali em diante.
Acordei com o médico me chamando. A voz estava distante... ou será que era eu que ainda sonhava? Não sei. Apenas ouvi uma voz gentil, perguntando como eu estava.
Respondi falando que estava bem, mas sem verdade nenhuma na minha voz.
Senti o médico cortando as ataduras em volta de minha cabeça e me falando para abrir com cuidado os olhos. Fiz isso e o mundo revelou-se novamente. Vi o quarto de hospital, os balões que minha mãe colocara na tentativa de deixar o lugar mais animado e minha família apreensiva, observando.
- Quer ver seus novos olhos, querida? - disse meu pai sorrindo e me dando um espelho de bolso.
Olhei com medo. Mas lá estava meu rosto inchado, mais intacto. E meus olhos... ah, estes estavam verdes como nunca haviam sido.
Mais tarde desta vez sozinha em meu quarto, peguei o espelho novamente e olhei com atenção. Engraçado, conhecia aqueles olhos de algum lugar. Eram penetrantes e de uma serenidade que não era minha. Teria que aprender na marra a viver com eles. O dono daqueles olhos sem dúvidas era alguém mais vivido que eu.
Passei dias que mais pareciam anos no hospital, tentando me adaptar a nova vida e me esforçando para esquecer que meus amigos haviam me abandonado com medo que eu morresse. Que droga! Eu estava viva! Por que me enterraram antes do tempo? Que injustiça!
Quando a enfermeira entrou no quarto, lutei contra as lágrimas que não pareciam ser minhas, tinham um outro gosto e um jeito diferente de cair. Estranho, pensei eu.
- Juliana, um rapaz lhe deixou isso na recepção do hospital hoje. - disse ela animada, mostrando uma caixa do meu chocolate favorito junto de um bilhete. Esperei a enfermeira sair e abri.
Meu coração deu um salto quando vi o nome. Era do André.
Estava digitado no computador. O que achei estranho, vindo de um garoto que sempre gostou do papel e da caneta. Por mais que meus olhos reclamassem do esforço eu li até o fim. O bilhete dizia:
"Ju,
Sinto muito por te deixar sozinha no momento mais difícil de sua vida. Acho que não agi certo, por mais que essa tenha sido a melhor solução que eu tenha achado para o meu problema. Saiba que tranquei minha faculdade e fui passar um mês no campo junto do meu avô, me isolando de tudo e de todos para refletir sobre a vida antes de tomar a decisão mais difícil de minha vida. Por isso sumi.
Assim que você se recuperar quero te encontrar para conversarmos melhor.
Eu te amo muito.
André"
Aguardei ansiosamente a minha ida para casa. Depois, ansiosamente até minha mãe me deixar sair do repouso.
No dia anterior a minha volta para o mundo, mandei uma mensagem para o André. Ele me respondeu com uma ligação. Estava muito estranho, mas mesmo assim consegui marcar um encontro com ele. No fundo, escutei um cachorro latindo. Devia ser o do vizinho, pensei. O André não tinha cachorro.
Quase não consegui dormir aquela noite. Tinha uma estranha sensação de que algo muito forte para eu aguentar iria se revelar. Sinceramente, acho que não aguentaria mais um baque em minha vida.
Cheguei na praça onde marcamos o encontro e sentei no banco, ansiosa. Olhava para as folhas que rodopiavam com o vento quando vi um cachorro cruzando a esquina. A coleira que ele usava não era comum, era uma guia. E finalmente seu dono apareceu, sendo guiado por ele. Seu dono era o André.
Ele se aproximou de mim. Seu cão guia sentou ao lado dele, fiel.
Imediatamente começei a chorar.
- Eu não acredito que você fez isso! - eu disse surtando.
- Eu fiz o que achava certo. Dei a você o que lhe era mais importante.
- Você acabou com a sua vida por minha causa!
- É aí que você se engana. Eu já compreendi como é viver. Se sou forte para tomar esta decisão, posso passar tranquilamente pelos obstáculos da vida. Já você tem muito o que aprender.
Chorei compulsivamente. Queria que fosse que nem nos desenhos animados, onde eu poderia arrancar os olhos e colocar de volta nele. Mas não era assim. Já estava feito. Eu não tinha nada a fazer a não ser fazê-lo se orgulhar da decisão que havia tomado. Decidi driblar minha ingenuidade de menina mal vivida. Agora era a hora de voltar a viver. Respirei fundo, me aproximei dele, beijei-o profundamente e disse sentindo a forte conexão que agora tomava conta de nós:
- Obrigada por trazer minha vida de volta. Eu te amo.
Ele sorriu e respondeu:
- E você, obrigada por me fazer voltar a enxergar neste exato momento.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Juntos, de qualquer jeito, de qualquer forma.

Durante meus dezenove anos, sempre ouvia as pessoas dizerem para aproveitar cada momento, pois a vida, às vezes pregava peças. Eu nunca fui uma adolescente qualquer. Não gostava de sair de casa e ficar com meus poucos amigos, aproveitando cada segundo, ao contrário de todo mundo. Hoje, como me arrependo de não ter feito isso. Talvez, se tivesse aprendido a me virar, a passar pelos obstáculos da vida, conseguisse entender por qual motivo o André fez isso comigo. Minha ingenuidade, mantida até hoje, me fez e faz não entender os reais motivos para que as pessoas tomem determinadas atitudes.
Há cinco anos atrás, eu tinha uma vida perfeita. Podia não ser perfeita para muitas pessoas, mas se encaixava exatamente no meu conceito de felicidade. Eu tinha uma casa confortável e uma família maravilhosa. Tinha um melhor amigo pelo qual mataria e morreria sem pensar duas vezes. Não precisava de mais nada para me isolar em meu mundo. Tudo o que eu queria encaixava-se nele, sem dificuldades. Hoje a vida me ensinou que isso foi pura ingenuidade.
Sempre tive uma saúde perfeita, achava eu, até o dia em que acordei com um peso nos olhos. Fui ao pronto socorro achando que tinha sido mais uma vítima do surto de conjuntivite daquele verão. Mas  me encaminharam para um médico, que me olhou com estranheza e logo me mandou para outro, depois para outro, para outro, para outro, até que me dei conta que estava na sala de espera de um médico oncologista. Em questão de um mês meu mundo desabou. Precisava urgente de um transplante.
Junto do maior baque da minha vida, eu perdi o apoio de meus (eu achava que eram) amigos e minha família passou a me tratar como o próximo espírito a passar para a outra dimensão.
Conseguiria superar tudo se tivesse o apoio de quem eu mais amo neste mundo, o André. Meu melhor amigo desde o jardim de infância. Aquele do qual já havia falado. O irmão escolhido pelo coração e não pelo destino.
Pois bem, ele sumiu durante o mês em que rodei por todos os oftamologistas de minha cidade e procurei por um hospital que me operasse com urgência. Meu coração ficou partido. Nada de meu irmão por perto, segurando meu muro, para que não caisse.
Confesso que entrei na sala de cirurgia naquela manhã fria de segunda feira sem saber realmente se queria retornar. Entre a vida e o amor, eu escolhia com facilidade a segunda opção. Se não tivesse isso, não queria mais nada.
Hoje, lembro somente do médico aplicando a anestesia e de meus olhos se fechando rapidamente. A partir dai, só escuridão.
(CONTINUA)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Eu sinto...

Eu acordei aquela manhã com a mesma sensação de aventura de todos os dias no coração. Levantei da cama e me guiei até o banheiro onde tomei minha ducha e escovei os dentes. Doze anos naquela rotina de adaptação me fizeram não precisar da minha mãe para estas atividades.
Meu nome é Giovanna e sou cega. Não nasci assim. Quando era bem pequena conseguia olhar a beleza do mundo. Mas, quando tinha oito anos, fiquei muito doente. Três meses depois a doença foi embora, mas, infelizmente, levou junto a minha capacidade de enxergar.
Hoje não ligo mais para isso. Claro que gostaria de ter minha visão de volta. Mas, aprendi a enxergar as coisas e a beleza de outra forma.
Para todos que me conhecem, é muito estranho que meu mundo não tenha ficado estagnado nos meus oito anos. Ele mudou e muda constantemente. E eu cresço junto dele.
Quando fiquei cega, as pessoas ficavam com dó e colocavam as coisas em minhas mãos, para que eu as sentisse. Mas, não desmerecendo estas pessoas, pouco me lembro da textura, do tamanho e da cor destes objetos. A vida me ensinou que não basta querer é preciso se esforçar. Se eu não quisesse, nada iria acontecer e eu não “veria” nada outra vez.
A minha casa é meu porto seguro. Aqui conheço tudo e vejo tudo também.
Na rua, tudo é uma aventura. É difícil viver em uma cidade que não é adaptada a deficientes. Aqui, prometeram adaptação há uns sete anos. Estou esperando até agora.
Tudo na rua é hostil, diferente. Parece que cada dia as coisas mudam de lugar só para atrapalhar minha vida.
Vivendo em um lugar como esse é preciso encontrar algo em que você possa se segurar.  No meu caso, encontrei aonde me segurar.
O parque é meu lugar favorito. A grama limpinha, cheirando a orvalho, me indica a cor verde. A árvore com seu tronco grosso e desuniforme me indica a cor marrom, que me traz força. O céu, com sua brisa suave, me remete a cor azul e me deixa  calma. Aqui, posso enxergar tudo novamente. Posso viver de novo. Me sinto segura sabendo que estou ao lado de coisas agradáveis que estão aqui pelo meu bem. Ou que pelo menos não mudam de lugar.
Esta segurança é o que motiva a minha vida, a beleza e a minha superação. É o que traz meus olhos de volta.
Leonardo da Vinci já dizia que os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo. Então, você provavelmente deve se perguntar: Como então, que eu enxergo as coisas? Simples resposta: eu sinto.
                                              

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E agora...?

Eu recebi aquela ligação com um nó na garganta. Queria chorar, mas me mantive forte. Não podia passar mais desespero a mãe dela.
Olhei para o relógio e constatei que eram quase dez horas da noite. Não me importei. Coloquei meus tênis, peguei meu bilhete de metrô e sai decidido de casa.
Não conseguia acreditar que era isso o que tinha acontecido. Ela sumiu por um mês. Não atendia telefone, não respondia meus e-mails e nem abria a porta de casa. Eu achei que ela estava brava comigo. Nunca poderia imaginar o verdadeiro motivo. Não poderia aceitar o verdadeiro motivo.
Cheguei em frente a casa dela, respirei fundo e toquei a campainha. A mãe dela atendeu.
- Que bom que você veio hoje. Ela não esperaria até amanhã.
Eu apenas cumprimentei a mãe dela e entrei na casa com o coração na mão. Senti um aperto sufocante quando a olhei.
Minha melhor amiga. Aquela linda garota que eu conhecia desde os cinco anos de idade. Agora estava em uma cama, ligada a um respirador e com a aparência envelhecida em dez anos.
Engoli as lágrimas. A mãe dela fechou a porta a fim de nos deixar a sós. Eu não sabia o que falar.
Finalmente ela abriu a boca e disse com a voz fraca:
- Caio...
Eu não aguentei e desatei a falar:
- O que aconteceu com você? Por que não me avisou? Eu poderia ter te dado apoio, te ajudado a superar!
- Você seria a primeira pessoa para quem eu contaria. Aliás é realmente a primeira!
- E por que você me contou só agora? Afinal, o que aconteceu com você?
- Eu sai com aquele cara que você tinha me alertado a não me aproximar. Ele bebeu muito e saiu em disparada com o carro. Eu também tinha bebido um pouco e não liguei. Ele não viu o farol vermelho e bateu em outro carro. Ele e o primo que estavam nos bancos da frente morreram na hora. Só eu sobrevivi. E não sei o por quê.
Eu não sabia o que falar. Olhei para ela e tentei assimilar aquelas informações. Por fim ela cortou o silêncio:
- Fiquei internada durante um mês. Coloquei vários pinos, mas mesmo assim não posso mais andar. Também tive a capacidade respiratória reduzida, por isso o respirador.
- Tudo isso pois você fez algo que não deveria ter feito. - eu disse
- Eu sei, Caio. Não preciso disso agora. Só quero o seu apoio. - ela disse chorando.
- Desculpe. É que te ver assim... Mexeu com as minhas emoções.
- Eu não sei o que eu faço, Caio... Se eu tivesse te escutado como eu sempre fiz durante a minha vida... Mais não, eu estava apaixonada e não dei ouvidos a ninguém e nem à razão. Cometi o maior erro da minha vida!
- Laura, preste atenção: A vida é traiçoeira. Ela está sempre pronta para te derrubar. Mas há um porém: A gente sempre acha que os maus momentos são negativos. Não é bem assim. Eles foram feitos para aprendermos com nossos próprios erros. Lembra quando você tinha dez anos e caiu do muro mesmo que sua mãe tenha falado mil vezes para você não subir?
Ela concordou com a cabeça.
- Então, depois do joelho ralado e do dente quebrado, quantas vezes mais você subiu no muro?
- Nenhuma.
- Viu? Você mesma achou a resposta.
Ela franziu com dificuldade o rosto.
- A gente aprende com os próprios erros.
- Mas eu preferia um dente quebrado do que viver o resto da minha vida presa a esta cama. Será justo o que Deus fez comigo?
- Não culpe Deus. Ele escreveu seu destino e você não tem como mudar isso. E sempre tenha em mente que ele não lhe dá mais tijolos do que você pode carregar. Se fez isso é porque sabe que você pode aguentar. Agradeça a ele todos os dias por estar viva. Você foi a única que escapou. Ainda não cumpriu sua missão no mundo. Cabe somente a você descobrir isso.
Ela chorou ainda mais. Por fim, falou:
- Mas, Caio...e agora? Minha vida acabou!
- Acabou, Laura? Pare e pense... Antes você apenas existia. A sua vida começa a partir de agora...
Ela sorriu com dificuldade e então, dormiu, e eu pude ir tranquilo para casa.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

" If you can dream, you can do it"

Quando criança aprendi que sonhar era bom.
Me disseram que os sonhos eram o combustível da vida. E eu acreditei.
Cresci, e meus sonhos pareceram se distanciar... Mas no fundo, havia sempre um deles presente em meus pensamentos. Mesmo que me alertassem a descer das nuvens pois estava esquecendo de viver, eu continuava a acreditar neles.
Foi ai que descobri que a realização vem com a luta, com o esforço e também com a persistência.
Em julho de 2010 o meu sonho se realizou.
Junto dele não pude deixar de notar as mais sinceras lágrimas que brotavam em meus olhos. E também aquele calor no coração que imediatamente me fez sorrir... Aquela era a verdadeira realização pessoal.
Por isso ressalto a importância de ter sonhos.
Todo ser humano os possui. Não importa o tamanho e nem quanto impossível eles sejam. Eles brotam do coração e nos motivam a continuar a caminhada.
Muitas vezes pessoas ao nosso redor tentam matá-los com palavras de pessimismo. Por isso acabamos achando que não podemos lutar para que eles se realizem. Isso não é verdade. Quem constroe nossos sonhos somos nós mesmos. Quem sente o quanto é bom realizá-los também somos nós.
Nunca acredite que seus sonhos são impossíveis. Cada sonho negado é uma parte do coração que é censurado, é um trecho do caminho da vida que é retirado.
O medo de sonhar tira-nos o prazer de viver no limite permitido. Pois os sonhos são exatamente isso: limites de viver o novo, o extraórdinario e o inusitado.
Claro que não se deve viver apenas de sonhos. Mas eles são importantes. Nos fazem ter planos, esperar com alegria algo que ainda está por vir. Se um dia lhe disserem que você é um sonhador, não leve isso como uma ofensa. É melhor sonhar e ter uma vida maravilhosa, cheia de esperanças do que passar o seu tempo na Terra inteiro em preto e branco. Desta forma, se pararmos para pensar, não valerá a pena ter nascido.
                              
FONTE DA IMAGEM: http://aunicaforca.blogspot.com/2011/02/sonhos-e-sonhos.html

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Aos loucos de coração mantidos enjaulados"

São dez horas da noite. Alguns meses atrás minha noite estaria apenas começando, mas hoje, precisamente agora, as luzes do corredor estão se apagando. Ai de mim se eu acender a laterna que minha mãe trouxe para mim na última visita. Se acende-la, eu apanho.
Aqui na prisão o tempo parece não passar, a comida parece papelão, o colchão parece pedra e as pessoas parecem estar em um inferno.
Eu, por outro lado, não encaro isso como um inferno. Agora sei que mereço estar aqui. Fui eu mesmo que causei isso.
Meu nome é Saulo, tenho vinte anos e fui preso há oito meses e meio por usar e vender drogas. Lembro-me de todos os detalhes e de cada segundo do dia que fui preso. Era madrugada e eu dormia profundamente após um cigarro de maconha. De repente, acordei com meu pai me puxando pelo braço e me levando até a porta de casa. Suas únicas palavras foram: Agora você vai pagar pelo que fez! Você não é mais meu filho!
Aquelas palavras doeram mais do que todas as agulhas que já tinha usado entrando juntas e ao mesmo tempo em meu corpo.
No caminho da cadeia eu já não tremia mais. Sabia que cedo ou tarde minhas chances de sair do mundo das drogas acabariam. Eu juro que tentei sair. Mas a sensação maravilhosa que a droga causava nas minhas entranhas era maior que a vontade de parar.
No mundo das drogas eu tinha tudo. Dinheiro, amigos(que hoje sei que não eram realmente meus amigos), viagens sem sair do lugar e experiências inesquecíveis.
Já no mundo real...nada. Nem mais o apoio da minha família eu tinha. Monotonia, brigas, rotina... eu era capaz de enlouquecer se continuasse vivendo naquele mar de mesmice.
Até hoje não sei porque busquei justamente as drogas. Poderia ter arranjado outra válvula de escape, mas não. Fui cair neste mundo que hoje sei o quanto é nojento.
Quase nove meses aqui me ensinaram muitas coisas. Percebi que as viagens causadas pelas drogas não me traziam lembranças como as viagens que fazia com meus pais. O dinheiro que ganhava não era gasto com algo que pudesse fazer algum bem para minha vida. Os amigos que achava que tinha me abandonaram nos momentos de tentativa de abandonar o vício.
 Foi a partir deste momento que percebi que estava trocando as bolas. A vida maravilhosa que eu achava que tinha era na verdade um buraco negro que eu mesmo abri sob meus pés. A vida tentava toda hora se tornar minha melhor amiga. E eu a rejeitava.
Uma pena que no momento em que abri os olhos foi tarde demais. Já estava na porta da minha cela, esperando o policial abrir.
Passei sete meses sem a visita de ninguém. Muitas vezes tentei me matar. Parei de comer. Não conversava com outros presos. A vida parecia ter dado as costas pra mim novamente,
Mas, um dia tudo mudou. Acordei com o policial falando que eu tinha uma visita. Não acreditei quando entrei na sala e vi minha mãe. Chorei como um bebê. Abracei-a pela cintura. Pedi desculpas. Ela acariciou minha cabeça e naquela hora a vida sorriu de novo.
minha mãe me deu um diário nesta visita. E é nele que escrevo agora. Amanhã vou sair daqui e irei para uma clínica de reabilitação. Escrevi este depoimento e o deixarei na cela. Quem o encontrar pode sentir-se reconfortado pelas palavras, da mesma forma que eu.
Por isso digo: Seja você mesmo. Busque seus objetivos. Sonhe. Não escolha o caminho errado. Se isso acontecer, busque o apoio de quem realmente quer o seu bem e te ama. Não cometa os mesmos erros que eu. Você não precisa sair do seu caminho para ser feliz. A felicidade se resume a poucas coisas. Você deve buscar o que ela significa para você. Não deixe que ninguém te prenda como aconteceu comigo. Escute as ideias de seu coração, ele sabe o que fazer. Se o seu coração é louco como o meu você irá se sair muito bem na vida, mesmo que algumas vezes tenha que apanhar como eu. E quando digo apanhar não me refiro à força física. A verdadeira força está bem mais próxima do que se imagina: Está dentro de você mesmo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

E se...

O seu animal de estimação falasse? O que ele pediria para você?

Se estou aqui...

Para diminuir sua solidão,
Para fazer você se sentir uma celebridade quando chega em casa cansado,
Para lamber suas lágrimas,
Para protegê-lo da violência,
Para fazer você rir com minhas trapalhadas inocentes,
Para colorir o silêncio com meu canto,
Para acariciá-lo com o meu pelo macio e bonito,
Para enfeitar sua casa com minhas plumas.
Por favor não me maltrate.
Não me abandone.
Não grite comigo.
Respeite meus instintos e sentimentos.
Sim! Eu também tenho sentimentos!
Cuide de mim e dos meus filhos como se fossem seus.
Porque eu cuido de você e dos seus filhos como se fossem meus.
Seja meu amigo e eu serei eternamente grato.
É só isso o que eu quero!
Não me importo com sua cor, com sua classe social ou o seu status.
Quero apenas o seu bem!
Me dê atenção.
Brinque comigo.
Saiba que estou aqui para melhorar sua vida!
E so peço mais uma coisa:
Quando eu morrer, chore de saudade e não de arrependimento.


UMA PEQUENA HOMENAGEM AO VERDADEIRO MELHOR AMIGO DO HOMEM.

sábado, 20 de agosto de 2011

Beco sem saída

Você é criança.
Os dias passam, a escola é legal, o fim de semana tem um gostinho de horas a mais para brincar. Sexta feira é o dia do brinquedo. Suas redações não precisam ter muitas linhas e nem um tema complicado. Seus pais te esperam na porta da escola com um sorriso no rosto. Qualquer feito seu é motivo de festa em casa. Fazer amizades é muito fácil. Na família, todos te tratam com a maior quantidade de carinho que conseguem reunir. A festinha de aniversário no buffet é o programa que você espera durante o mês todo. Seus exercícios de provas são fáceis e muitos deles pedem que você desenhe e pinte. Você brinca na rua de amarelinha, polícia e ladrão, corrida e bicicleta.
Você é adolescente.
Os dias passam mais devagar, a escola começa a ficar chata. As aulas são maçantes. O fim de semana demora a chegar. Quando ele chega, você quer sair. Seus pais te passam um sermão, você finge não ouvir, mas no fundo, guarda alguma coisa. Seus amigos parecem sempre mais legais, bonitos e populares. Você passa a se sentir reprimido. Faz besteiras. Se veste de acordo com o estilo de vida que você decidiu levar, seja por vontade própria ou pressão das pessoas. Todos na escola te julgam esquisito. Os amigos verdadeiros começam a diminuir de sua lista. As provas ficam mais difíceis. Você perde a paciência para tudo. Briga com seus pais. Tudo é motivo para se irritar. Os anos na escola parecem nunca acabar. Você tenta passar a ideia de alegria para os outros, seja pela internet ou ao vivo. Você passa a se fechar em um mundinho virtual, esqueçe a vida lá fora. Você se sente pressionado por tudo e por todos. A família te vê como mais um adolescente que perdeu os encantos da infância.
Você está se tornando um adulto.
De uma hora para outra sua vida muda completamente. Os dias passam muito rápido. Você torce para o fim de semana chegar logo. Quando ele chega você quer ficar em casa, aproveitando a família ou mesmo sua cama. Você tem que escolher do nada a profissão que vai seguir. Cada um dá uma ideia e você fica perdido. Você se sente pressionado pela sociedade toda hora. Está em tempo de arrumar um emprego. Você busca, busca e recebe a mesma resposta: queremos alguém mais experiente. Você começa a sentir falta do tempo em que vivia de mesada. Antes, ela durava o mês todo, agora não. Você tem que aprender na marra a realidade da vida. As coisas que acontecem no mundo te assustam.
É, a vida passa em um instante.
Quando você se der conta, o tempo já vai ter passado. Você sentirá falta do tempo que gastou fazendo besteira .Achará coisas na sua casa que farão você se lembrar da sua infância. Todos começam a envelhecer e você lembra dos tempos antigos com carinho. Um dia pensará em todos os sonhos que te acompanharam durante sua vida. Quantos você realizou? Ainda dará tempo de realizá-los?
A resposta é sim! Enquanto você vive ainda dá tempo de tudo. O que você quiser fazer, faça. Sorria mais, dance, cante, dê risada, lembre o quanto você ama as pessoas que conhece. Não deixe de demonstrar. A vida e os momentos estão aí para isso.
A vida caminha sempre para o mesmo destino. Cabe a você escolher as bifurcações. Não se prenda no tempo antigo. Trate de aproveitar o que ainda resta. Você viverá a vida inteira dentro de um beco sem saída. Você nasce e não pode escapar da morte. Mas não é por isso que você deve se privar. A vida esta aí para ser preenchida de momentos lindos, difíceis, divertidos e emocionantes. Cada coisa que você julgar certo, faça, pois se você não fizer, pode ser tarde demais.